Diversidade e conectividade da arborização urbana: o outro lado da Amazônia
Floresta urbana, Amazônia Central, Efeito luxo, Homogeneização biótica, Planejamento urbano
Apesar de estar no centro da maior floresta tropical do mundo, Manaus tem um dos piores índices de arborização do país, além de mau distribuída, o que também dificulta a movimentação da fauna em uma matriz urbana praticamente impermeável. Esta tese investiga a estrutura, a diversidade e a conectividade da floresta urbana de Manaus, Amazônia Central, sob uma perspectiva multidisciplinar que integra a ecologia vegetal, a ecologia urbana e a ecologia de paisagem. A pesquisa foi estruturada em quatro capítulos complementares. O primeiro capítulo revelou que a arborização urbana da metrópole sofre uma profunda “desconexão biogeográfica”, com predominância de espécies exóticas superior a 60% e a presença significativa de táxons invasores que ameaçam a biodiversidade local, evidenciando uma negligência histórica com a flora nativa amazônica. O segundo capítulo analisou a arborização das praças, no âmbito da ecologia de comunidades vegetais, e demonstrou que, embora a área das praças influencie a riqueza de espécies arbóreas, as praças mais antigas revelam uma maior dominância de poucas espécies, mostrando que o fator tempo promove a homogeneização biótica nesses espaços. O terceiro capítulo abordou a arborização no âmbito socioeconômico, cujos resultados confirmaram a hipótese do “efeito luxo”, com áreas de maior renda apresentando maior abundância de árvores, evidenciando que a distribuição do verde é desigual, embora a preferência por flora exótica seja um padrão cultural transversal, que ignora classes sociais. Por fim, no quarto capítulo foi realizada uma modelagem utilizando Caminhos de Menor Custo, o que permitiu identificar gargalos de conectividade e propor corredores ecológicos, destacando a rede de igarapés e a arborização estratégica da infraestrutura viária como locais para aumentar a permeabilidade da matriz urbana e para restaurar a conectividade entre fragmentos florestais. Em conjunto, a tese demonstra que a arborização de Manaus sofre de uma profunda desconexão biogeográfica e desigualdade distributiva do verde, e que a restauração de suas funções ecológicas depende de políticas públicas que integrem a biodiversidade regional ao planejamento urbano resiliente. Assim, o trabalho oferece um diagnóstico crítico e soluções aplicáveis para que Manaus reduza a fragmentação e promova uma gestão florestal urbana mais resiliente e socialmente justa.