USO DE HABITAT, COOCORRÊNCIA E ATIVIDADE VOCAL DE AVES INSETÍVORAS EM DIFERENTES AMBIENTES NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Modelos de ocupação; ocupação estática; ocupação condicional; padrões de vocalização; gravadores autônomos; Passeriformes; Caatinga
Em cenários de mudanças ambientais, aves insetívoras são um dos grupos mais afetados, devido à sua sensibilidade a alterações na estrutura do habitat, especialmente em ecossistemas sazonais. No contexto de ambientes sazonais, um exemplo claro de deste tipo de ambiente é o semiárido brasileiro. O objetivo geral desta tese foi investigar como fatores ambientais influenciam o uso de habitat, a coocorrência e os padrões diários de atividade de aves insetívoras em diferentes unidades de paisagem do semiárido brasileiro. Esta tese está dividida em quatro capítulos. No primeiro capítulo, investigamos a influência de variáveis (topografia e vegetação) sobre o uso do habitat de espécies da Thamnophilidae em fragmentos de floresta semidecidual no semiárido brasileiro. Medimos variáveis ambientais em três escalas espaciais (buffers com raios de 250, 500 e 1000 m), abrangendo métricas de cobertura do solo e topografia. Nenhuma escala espacial apresentou predomínio exclusivo sobre as demais. Na escala de 250 m, a formação florestal influenciou a ocupação de Sakesphoroides niedeguidonae, Thamnophilus capistratus, Taraba major, enquanto formação campestre apenas T. major. A altura do dossel foi uma das variáveis relevantes para T. torquatus e a integridade florestal para S. niedeguidonae. Na escala de 500 m, a declividade teve maior efeito para Myrmorchilus strigilatus, Herpsilochmus atricapillus e T. major. Na escala de 1000 m, a altura do dossel destacou-se como determinante para M. strigilatus, H. atricapillus e T. major. A altitude foi a variável de maior influência geral, correlacionando-se com a ocupação de M. strigilatus, S. niedeguidonae, T. capistratus, T. torquatus e T. major. Nossos resultados demostram que, embora variáveis topográficas tenham exercido influência moderada, atributos vegetacionais mostraram-se essenciais para o uso do habitat das espécies de insetívoros. No segundo capítulo, investigamos como variáveis ambientais em múltiplas escalas (micro-habitat e paisagem) influenciam a seleção de habitat por aves insetívoras em duas unidades de conservação situadas no semiárido brasileiro. Mensuramos variáveis ambientais que incluíram métricas de estrutura da vegetação, cobertura do solo e topografia, medidas em relação ao micro-habitat (raio de 6 m) e paisagem (250, 500 e 1000 m). Variáveis do micro-habitat foram determinantes para a seleção de habitats das aves insetívoras. A riqueza de árvores influenciou Formicivora melanogaster e Hemitriccus margaritaceiventer, enquanto a altura da serrapilheira esteve associada a F. melanogaster e T. major. A cobertura do dossel afetou exclusivamente F. melanogaster. O tipo de solo massapê foi determinante para T. capistratus, Sittasomus griseicapillus e Lepidocolaptes angustirostris, e a altitude se relacionou-se com Todirostrum cinereum e Cantorchilus longirostris. Os nossos resultados evidenciam que a seleção de habitat pelas espécies estudadas está fortemente associada a variáveis em escalas mais finas, especialmente aquelas ligadas à estrutura da vegetação. Essa dependência de micro-habitat ressalta a sensibilidade desses insetívoros a alterações na complexidade vegetacional. O terceiro e quarto capítulos ainda estão em fase de análise e escrita, portanto não estão incluídos neste momento. De forma resumida, o terceiro capítulo tem como objetivo analisar o nível de coocorrência entre espécies de insetívoros e compará-lo entre três áreas do semiárido brasileiro. Já o quarto capítulo visa descrever os padrões de variação diária na atividade vocal das espécies estudadas nos capítulos anteriores