PGE/CB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA CENTRO DE BIOCIÊNCIAS Telefone/Ramal: (84) 3342-2334/401 https://posgraduacao.ufrn.br/pge

Banca de DEFESA: VAGNER LACERDA VASQUEZ

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VAGNER LACERDA VASQUEZ
DATA : 22/05/2025
HORA: 14:00
LOCAL: SALA DE REUNIÕES DO DECOL/CB/UFRN (https://conferenciaweb.rnp.br/sala/vagnerlv)
TÍTULO:

Recursos alimentares de primatas da Mata Atlântica e um olhar sobre os maiores primatas deste bioma: mudanças climáticas, principais recursos de plantas e habitat


PALAVRAS-CHAVES:

Brachyteles arachnoides; Brachyteles hypoxanthus; Dieta; Fabaceae; Hotspot; MaxEnt; Modelagem de adequabilidade de habitat; Mono-cavoeiro; Myrtaceae; Modelagem de distribuição de espécies.


PÁGINAS: 183
RESUMO:

Primatas são espécies arbóreas e semiarbóreas, dependentes de plantas vasculares para suprir suas necessidades ecológicas. Proporcionalmente, são os mamíferos mais ameaçados de extinção, principalmente devido à perda e fragmentação de habitat, que podem ser potencializadas pelas mudanças climáticas. O histórico de desmatamento e fragmentação da Mata Atlântica, aliado à alta riqueza de espécies de primatas e às mudanças climáticas esperadas para esta região, a torna fundamental para ações de conservação de primatas. Esta tese está dividida em três capítulos. No primeiro capítulo, sintetizamos o conhecimento sobre os recursos alimentares de espécies de primatas na Mata Atlântica. Investigamos a distribuição temporal e espacial de estudos com informações publicadas na literatura científica sobre dieta, os principais táxons registrados como recursos alimentares e as partes de plantas mais consumidas por esses primatas. 96% dos registros alimentares foram de plantas, principalmente frutos (50%), folhas (31%) e flores (14%). A maioria das espécies, gêneros e famílias de plantas tem poucos registros. As famílias mais registradas foram Myrtaceae (n=440) e Fabaceae (n=392), e os gêneros foram Eugenia (n=123), Inga (n=113), Ficus (n=109) e Myrcia (n=102). Algumas espécies de primatas com programas de conservação de longa data ou monitoramento populacional apresentaram o maior número de registros de recursos alimentares. Os locais de estudo geralmente cobrem apenas uma pequena parte da distribuição geográfica das espécies de primatas, indicando um viés geográfico. Nossos resultados destacam a escassez de pesquisas sobre a dieta de primatas da Mata Atlântica, o que é especialmente preocupante para espécies ameaçadas como Callithrix aurita e Leontopithecus caissara, que tiveram apenas notas ocasionais de história natural sobre recursos alimentares, e Sapajus robustus, que não teve registros. Reforçamos a necessidade de conduzir mais pesquisas sobre a dieta de primatas da Mata Atlântica. Esse conhecimento pode contribuir para a compreensão da plasticidade e fisiologia dos organismos. No segundo capítulo, avaliamos os efeitos das mudanças climáticas na distribuição de Brachyteles (B. arachnoides e B. hypoxanthus), primatas endêmicos da Mata Atlântica, e seus principais recursos alimentares. Modelamos as distribuições atuais e futuras (2060 e 2100) desses primatas e de 46 plantas frequentemente associadas na literatura à sua dieta (26 para B. arachnoides; 20 para B. hypoxanthus). Dentro de suas distribuições geográficas, sob diferentes cenários climáticos (atual e quatro futuros), analisamos a adequabilidade e distribuição de Brachyteles e de seus recursos alimentares, a sobreposição entre suas distribuições (primatas e plantas) e o número de espécies de plantas por pixel. A adequabilidade climática de Brachyteles diminuiu nos cenários futuros, com maior declínio para B. hypoxanthus. Projeta-se que a distribuição de B. arachnoides aumente 15% até 2100 no cenário de maiores emissões de gases estufa, enquanto para B. hypoxanthus as reduções esperadas são de até 91% no mesmo cenário e tempo projetado. Tanto a adequabilidade climática quanto o número de recursos alimentares foram maiores no clima atual em comparação com as projeções futuras. A sobreposição entre as distribuições de Brachyteles e seus recursos também tende a diminuir nos cenários futuros, especialmente nos mais severos, assim como o número de espécies de plantas por pixel, com declínios mais acentuados para B. hypoxanthus. Pesquisas anteriores também indicaram potenciais reduções nas distribuições futuras de Brachyteles e espécies de árvores dentro da Mata Atlântica, com impactos mais severos para o B. hypoxanthus. As reduções projetadas na adequabilidade de Brachyteles e seus principais recursos alimentares, juntamente com a perda de habitat na Mata Atlântica, ameaçam a sobrevivência deste gênero Criticamente Ameaçado de extinção. Enriquecer e conectar fragmentos com espécies-chave de recursos alimentares para Brachyteles é vital para dar suporte à viabilidade e à dispersão de populações à medida que os habitats adequados diminuem. No terceiro capítulo, avaliamos o estado atual e futuro (2060 e 2100) das paisagens habitadas por Brachyteles, combinando modelos de adequabilidade climática com métricas de paisagem. Identificamos 39 paisagens com a ocorrência de Brachyteles (B. arachnoides=25 e B. hypoxanthus=14). Nessas paisagens, avaliamos os impactos projetados das mudanças climáticas na adequabilidade e na distribuição desses primatas e de seus principais recursos alimentares, juntamente com a cobertura florestal e a proporção de paisagens sobrepostas por áreas protegidas (Unidades de Conservação). Por fim, classificamos o status de qualidade das paisagens em quatro categorias: Alto, Moderado, Baixo e Muito Baixo. A adequabilidade climática em paisagens com ocorrência de Brachyteles foi geralmente maior nas projeções para o clima atual do que para o futuro, especialmente para B. hypoxanthus. Da mesma forma, o número de recursos alimentares projetados no clima atual foi maior do que no futuro para ambos os Brachyteles, apesar da pequena diferença. Paisagens com ocorrência de B. arachnoides apresentaram maior cobertura florestal (76%) e baixa sobreposição com áreas protegidas (76%), enquanto paisagens com ocorrência de B. hypoxanthus apresentaram menor cobertura florestal (48%) e maior sobreposição com áreas protegidas (86%). Brachyteles arachnoides manteve uma proporção estável de paisagens com Alta Qualidade, mesmo no cenário de altas emissões de gases de efeito estufa (Atual=62%, 2060=65% e 2100=54%). Brachyteles hypoxanthus teve uma redução em paisagens de Alta Qualidade (Atual=3 paisagens, 2060=2 e 2100=1) e um aumento em paisagens de Qualidade Muito Baixa (Atual=20%, 2060=47% e 2100=60%). As paisagens com a ocorrência de B. arachnoides com menor qualidade estão no sul de sua distribuição geográfica e na porção disjunta a noroeste, enquanto para B. hypoxanthus, as regiões críticas se estendem do limite norte (porção disjunta) de sua distribuição até o sudoeste. Essas áreas requerem ações imediatas de conservação, como enriquecimento da paisagem, aumento da conectividade e monitoramento populacional para garantir a sobrevivência dessas espécies a longo prazo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1914239 - MIRIAM PLAZA PINTO
Interno - 1718346 - EDUARDO MARTINS VENTICINQUE
Interno - 2319234 - GUILHERME ORTIGARA LONGO
Externa à Instituição - BRUNA MARTINS BEZERRA - UFPE
Externo à Instituição - RAONE BELTRÃO MENDES
Notícia cadastrada em: 13/05/2025 16:49
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