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Banca de DEFESA: ANA CAROLINA GRILLO MONTEIRO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANA CAROLINA GRILLO MONTEIRO
DATA : 27/03/2025
HORA: 08:30
LOCAL: Departamento de Oceanografia e Limnologia - DOL
TÍTULO:

Competição bentônica em ambientes recifais: resultados, mecanismos, e efeitos de estressores ambientais


PALAVRAS-CHAVES:

Recife de coral; Scleractinia; coral duro; macroalga; zoantídeo; coral mole; interação ecológica; eutrofização; mudança climática; acidificação


PÁGINAS: 147
RESUMO:

A competição entre organismos é uma das interações ecológicas mais fortes que estruturam as comunidades terrestres e aquáticas. Nos ecossistemas recifais, os organismos sésseis competem pelo limitado substrato consolidado para assentarem e crescerem, utilizando uma variedade de mecanismos para manter seu espaço e competir com organismos vizinhos. Os corais duros são um dos principais organismos calcificadores que constroem recifes, e as atuais pressões antropogênicas estão reduzindo sua abundância e promovendo a dominância do bentos recifal por organismos de corpo mole, como macroalgas, zoantídeos e corais moles, que podem competir com os corais duros pelo substrato. No entanto, os efeitos das interações competitivas podem variar de acordo com os organismos envolvidos e os fatores ambientais que influenciam sua habilidade competitiva. Esta tese teve como objetivo investigar os resultados da competição entre corais duros e macroalgas, corais moles e zoantídeos de recifes do Atlântico Sudoeste e do Indo-Pacífico, os mecanismos envolvidos nessa competição e como estressores ambientais afetam o resultado dessas interações, por meio de uma combinação de experimentos laboratoriais. Nos dois primeiros capítulos, investiguei os mecanismos e resultados da competição envolvendo corais duros do Atlântico Sudoeste (Siderastrea sp. e Milleporaalcicornis) e do Indo-Pacífico (Porites sp. e Acropora sp.), competindo com organismos comuns nesses recifes: uma macroalga (Dictyopteris delicatula) e um zoantídeo (Palythoa caribaeorum) no primeiro caso, e um coral mole (Clavularia sp.) no segundo. No Capítulo 1, ambos os competidores prejudicaram os corais duros apenas quando em contato físico, sendo o zoantídeo um competidor mais forte do que a macroalga. No Capítulo 2, o coral mole afetou negativamente o coral duro mais fraco por meio de danos mecânicos, mas seus aleloquímicos não impactaram nenhum coral duro. Ambos os capítulos demonstraram que a suscetibilidade aos danos da competição em corais duros depende da espécie: M. alcicornis sofreu mais danos do que Siderastrea sp. ao competir com a macroalga, mas ambos foram altamente afetados pelo contato com o zoantídeo. Já, Acropora sp. não sofreu dano pelo coral mole, enquanto Porites sp. foi negativamente afetado. No Capítulo 3, avaliei os efeitos do enriquecimento por ferro na competição física entre três espécies de corais duros (Siderastrea sp., M. alcicornis e Mussismilia harttii) e uma macroalga (Lobophora variegata) e um zoantídeo (P. caribaeorum), considerando o potencial efeito dos desastres de rompimento de barragem de mineração ocorridos na costa brasileira. A competição foi prejudicial para todos os corais duros, independentemente do ferro, mas altas concentrações desse elemento agravaram os impactos negativos da competição no coral mais vulnerável, M. harttii. Por fim, no Capítulo 4, investiguei os efeitos isolados e combinados do enriquecimento por nitrato e da acidificação oceânica na competição entre um coral duro (Stylophora pistillata) e um coral mole (Xenia sp.) do Indo-Pacífico. Enquanto a competição afetou negativamente o coral duro, a combinação de acidificação oceânica e enriquecimento por nitrato mitigou os efeitos negativos nas respostas de seus endossimbiontes, embora a acidificação tenha reduzido suas taxas de calcificação. Os parâmetros fisiológicos do coral mole foram favorecidos pelo enriquecimento por nitrato, e a acidificação oceânica não teve impactos sobre ele. De forma geral, os corais duros sofreram efeitos negativos nas interações de contato físico com os competidores, e a maioria dos organismos que interagiram com os corais duros não apresentou danos detectáveis da competição. Esta tese demonstra que: a severidade dos efeitos da competição em corais duros e os mecanismos utilizados pelos competidores dependem das espécies envolvidas, os estressores ambientais relacionados à poluição apresentam maiores riscos para os corais duros quando estão competindo com outros organismos bentônicos, e cenários de aumento de estressores antropogênicos, sejam eles relacionados ao clima (escala global) ou à poluição (escala local), tendem a favorecer competidores de corpo mole. Esses resultados contribuem para uma melhor compreensão das especificidades das interações competitivas nos ecossistemas recifais bentônicos e possibilitam previsões mais precisas sobre as consequências do aumento de estressores antropogênicos e a dominância de organismos competitivamente superiores nos ecossistemas recifais.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - BÁRBARA SEGAL RAMOS - UFSC
Presidente - 2319234 - GUILHERME ORTIGARA LONGO
Externo à Instituição - IGOR CRISTINO SILVA CRUZ - UFBA
Externo à Instituição - RALF TARCISO SILVA CORDEIRO - UFRPE
Externo à Instituição - SAMUEL COELHO DE FARIA - USP
Notícia cadastrada em: 12/03/2025 16:45
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