COMPORTAMENTO E PADRÕES DE USO EM PRAIAS POR AVES MARINHAS EM UMA ILHA OCEÂNICA BRASILEIRA
aves marinhas; comportamento; atobá-marrom (Sula leucogaster); Fernando de Noronha; diversidade; atividade de voo
As aves marinhas, predadoras de topo na cadeia alimentar, apresentam ampla distribuição global e capacidade de flexibilidade comportamental, ajustando suas estratégias de forrageio conforme fatores abióticos e a disponibilidade de presas. No Brasil, ilhas oceânicas como o Arquipélago de Fernando de Noronha são importantes áreas de reprodução, descanso e alimentação. Noronha destaca-se por sua biodiversidade, abrigando espécies como o tesourão (Fregata magnificens), atobás (Sula sp.) e viuvinhas (Anous sp.). No primeiro capítulo, avaliamos a composição da comunidade de aves marinhas em voo na ilha principal, considerando horários (7h, 9h, 11h, 15h e 17h), sazonalidade (chuvoso e seco) e espacialidade (mar de dentro e mar e fora). Identificamos maior diversidade na estação seca, especialmente no mar de fora pela manhã e em condições de ausência de swell. O mar de dentro apresentou maior variabilidade entre manhã e tarde, destacando diferenças sazonais. No segundo capítulo, investigamos o comportamento do atobá-marrom (Sula leucogaster) em Fernando de Noronha, considerando variações espaciais, diurnas e sazonais. Utilizando as técnicas de animal focal e varreduras, registramos comportamentos como forrageio, repouso, interações e passagem. Observamos maior frequência de busca ativa (BAT) no período seco e repouso em pedras (REP) no período chuvoso. A atividade alimentar predominou no mês seco, pela manhã e na região do mar de fora, enquanto o repouso ocorreu no mar de dentro, no período chuvoso, especialmente ao entardecer. Os resultados evidenciam a forte influência da sazonalidade e da variação diurna no comportamento do atobá-marrom e na composição das aves marinhas em Fernando de Noronha. O período seco favorece maior atividade alimentar e diversidade, especialmente no mar de fora, enquanto o período chuvoso intensifica comportamentos de repouso no mar de dentro. Essas informações reforçam a importância da implementação de monitoramento a longo prazo, reunindo informações comportamentais da comunidade de aves marinhas em ambiente oligotrófico.