Interação entre zooplâncton e fitoplâncton em um reservatório tropical durante eventos hidrológicos extremos
Interações tróficas; série temporal; Semiárido; Seca extrema; Lagos rasos.
Quantificar a relação zooplâncton:fitoplâncton pode oferecer informações sobre a sensibilidade do zooplâncton (consumidor) às mudanças no fitoplâncton (produtor) frente às condições ambientais. Uma métrica utilizada para avaliar essa interação é a razão entre a biomassa dessas comunidades. Este estudo avaliou a interação zooplâncton:fitoplâncton ao longo de 13 anos em um reservatório durante eventos hidrológicos extremos (forte chuva e seca extrema). O fitoplâncton e o zooplâncton foram coletados trimestralmente entre os anos de 2010 e 2022 no reservatório de Gargalheiras (RN) localizado na região semiárida. Agrupamos o zooplâncton de acordo com a forma de alimentação e o tamanho corporal e o tempo em três períodos distintos: cheia (2011-2012; 2022), seca (2015-2018) e transição (2013; 2014; 2019). A PCA destacou um gradiente ambiental: o período de cheia foi associado a maiores valores de volume de água e oxigênio dissolvido, enquanto o período de seca apresentou concentrações elevadas de fósforo total e menor transparência de secchi. A razão zoo:fito não mudou ao longo do tempo (p > 0,05) nem entre os períodos hidrológicos, mas um aumento momentâneo ocorreu durante a seca extrema coincidindo com a dominância de copépodes raptoriais e do nano-fitoplâncton potencialmente mixotrófico. A estrutura da comunidade zooplanctônica baseada nos grupos funcionais variou conforme o período (PERMANOVA: Pseudo-F= 2,22; r²=0,10, p=0.005): copépodes filtradores estiveram mais associados ao período de cheia (r² = 0,20; p = 0,013), e grandes copépodes raptoriais ao período de seca extrema (r² = 0,30; p = 0,009). A biomassa de fitoplâncton também foi diferente: euglenofíceas (r² = 0,24; p = 0,001) e criptofíceas (r² = 0,23; p = 0,005) predominaram na seca extrema, enquanto cianobactérias dominaram nos períodos de cheia e transição (r² = 0,18; p = 0,007). Percebe-se que os eventos hidrológicos extremos, principalmente a seca, afetaram a estrutura funcional das comunidades planctônicas, mas não atingiram a proporção entre consumidores e produtores ao longo do tempo.