PGE/CB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA CENTRO DE BIOCIÊNCIAS Téléphone/Extension: (84) 3342-2334/401 https://posgraduacao.ufrn.br/pge

Banca de QUALIFICAÇÃO: VITORIA ERICA DIAS AVELINO DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VITORIA ERICA DIAS AVELINO DA SILVA
DATA : 29/08/2025
HORA: 13:30
LOCAL: Google Meet
TÍTULO:

A POLUIÇÃO PLÁSTICA PODE POTENCIALIZAR OS IMPACTOS DA ACIDIFICAÇÃO OCEÂNICA SOBRE O METABOLISMO DOS CORAIS?


PALAVRAS-CHAVES:

Sistema-carbonato; saturação da aragonita; calcificação; microplástico; Siderastrea stellata.


PÁGINAS: 36
RESUMO:

A poluição plástica e a acidificação dos oceanos estão entre as principais ameaças globais para os ecossistemas marinhos. A acidificação reduz a disponibilidade de íons carbonatos dissolvidos na água do mar, os principais blocos construtores para os esqueletos dos corais. A degradação do plástico pode potencializar esses efeitos, ao adicionar mais dióxido de carbono através da quebra do polímero e da decomposição microbiana de compostos orgânicos. O presente estudo propõe investigar, pela primeira vez, os mecanismos biogeoquímicos envolvidos na acidificação oceânica desencadeada pela poluição plástica, bem como o papel da degradação do plástico como agente modificador do sistema carbonato da água do mar. Propomos também avaliar os efeitos individuais e combinados da poluição plástica e da acidificação sobre o crescimento dos corais. Conduzimos experimentos laboratoriais utilizando partículas plásticas de 2 a 10 mm coletadas em areia de praia, e mantidas em meio de água do mar por 14 dias sob diferentes condições de luminosidade (irradiado e escuro). O experimento foi desenvolvido em duas fases: (1) abiótica, com meio esterilizado, a fim de testar os efeitos físico-químicos da degradação plástica; (2) biótica, em que foi inoculada água do mar não esterilizada para avaliar o papel da decomposição microbiológica como potencializadora da acidificação por plástico. Como proxies para rastrear o mecanismo do plástico como nova via de acidificação dos oceanos foram consideradas as variações temporais do pH, das concentrações de CO2 dissolvido e do estado de saturação da aragonita (forma de CaCO3 utilizada para a calcificação em corais). O plástico aumentou significativamente as concentrações de CO2 da água do mar, variando de 13,03 µmol/kg (DP ± 7,88) no dia 0 para 35,01 µmol/kg (DP ± 21,03) no dia 14 na condição irradiada, e de 11,97 µmol/kg (DP ± 7,80) para 24,67 µmol/kg (DP ± 17,10) na condição escura. o pH apresentou uma relação logarítmica negativa com as concentrações de CO2. Dessa forma, a maior redução do pH ocorreu no tratamento irradiado, reduzindo em média 0,378 unidades em apenas sete dias e atingindo um valor mínimo de 7,291 unidades. Uma redução comparada à esperada para o final do século, quando considerado apenas as emissões de CO2 atmosférico. O plástico também causou reduções no pH mesmo na condição escura, reduzindo em média 0,168 em apenas sete dias e atingindo um valor mínimo de 7,610 unidades. O estado de saturação da aragonita reduziu exponencialmente com as reduções de pH, variando de de 4,28 unidades (DP ± 2,06) no início do experimento para 2,037 unidades (DP ± 0,76) no tempo final. Da mesma forma, as maiores reduções da aragonita aconteceram no tratamento com plástico sob condição irradiada, alcançando um valor mínimo de 1,018 unidades. Isso 1 evidencia a radiação como uma das principais responsáveis pela degradação plástica, quebrando a cadeia polimérica e acelerando a lixiviação de CO2 para o ambiente marinho. Não identificamos variações significativas das variáveis medidas durante a etapa biótica, o que pode ter ocorrido devido a baixa concentração de carbono orgânico dissolvido liberado pelo plástico. Na próxima etapa, serão realizados experimentos laboratoriais com manipulações dos níveis de CO2 em condições com e sem plástico, e os seus efeitos individuais e combinados sobre a calcificação dos corais por técnicas de incubação. Com base nos resultados prévios de decréscimo dos níveis de carbonatos e saturação da aragonita, esperamos que ocorra a diminuição das taxas de calcificação dos corais, especialmente nos tratamentos em que os estressores plástico e acidificação atuem de forma combinada. Este estudo contribui para a compreensão dos impactos individuais e combinados de estressores globais sobre os corais, bem como para a avaliação sobre os seus possíveis desdobramentos para o funcionamento dos ecossistemas recifais. Este entendimento é fundamental para a elaboração de estratégias efetivas de conservação em face das rápidas mudanças ambientais observadas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3257898 - Cybelle Menolli Longhini
Interno - ***.178.178-** - EDSON APARECIDO VIEIRA FILHO - UESC-BA
Externa à Instituição - LETICIA COTRIM DA CUNHA - UERJ
Notícia cadastrada em: 15/08/2025 10:54
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