História oral de vida: ser cuidador de paciente com acidente vascular cerebral
Cuidadores, assistência domiciliar, acidente vascular cerebral, enfermagem.
O presente estudo objetivou compreender a vivência de ser um cuidador familiar de paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC). A relevância do estudo deve-se a existência comprovada de um elevado número de cuidadores de pacientes incapacitados, em decorrência do AVC, e que não vêm sendo objeto de investigação no âmbito acadêmico, conforme refere à literatura. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, cujo fio condutor se pautou na história oral de vida, conforme a fundamentação teórica e operacional de Meihy. Assim sendo, foram evidenciadas as seguintes etapas: a comunidade de destino, composta por todos os cuidadores familiares de pacientes com AVC; a colônia, formada por cuidadores familiares de pacientes com AVC e que foram atendidos pelo Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) do Hospital José Pedro Bezerra (HJPB), na cidade do Natal/RN; a rede foi constituída por seis cuidadores que atendiam os critérios de inclusão, e como ponto zero o primeiro voluntário do grupo. A população foi composta por todos os cuidadores familiares atendidos pelo SAD, do HJPB tendo sido abordados através de entrevistas. Para a realização da pesquisa empírica contou com a anuência dessa instituição e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte conforme CAAE nº 24569413.0.0000.5537 e, sobretudo, com a aquiescência dos colaboradores em participar da investigação, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Do material empírico foram identificadas cinco categorias de análise: O sentido de ser cuidador; O que mudou na vida do cuidador; Os sentimentos emergem na relação do cuidar; O distanciamento de familiares e amigos; Dificuldades enfrentadas pelo cuidador. Os resultados evidenciam que a vida do cuidador passa por profundas transformações no âmbito da família bem como, em todas as esferas da vida. Para os cuidadores, assumir o cuidado de um familiar com AVC significa renúncia e doação, comprometendo, algumas vezes, os projetos individuais e da família como um todo. Além disso, ressaltam o enfrentamento de dificuldades no âmbito da assistência e humanização na saúde, informação, sobrecarga física e emocional, além de problemas de ordem financeira. Apesar de todas as adversidades que comprometem a vida do cuidador foi possível identificar atitudes de resiliência entre os cuidadores, tornando o seu fazer cotidiano menos árduo e com mais leveza. Espera-se, portanto, que essa pesquisa possa contribuir para uma melhor orientação dos profissionais junto aos cuidadores.