RESISTIR PARA PERMANECER: O trabalho de cuidados e os desafios para a permanência de mulheres estudantes do curso de Serviço Social na Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Trabalho de Cuidado; Permanência Estudantil; Patriarcado; Racismo; Capitalismo-Colonial.
Esta dissertação tem como objetivo analisar de que maneira as desigualdades de gênero, articuladas às determinações de raça e classe, incidem sobre a permanência e a trajetória acadêmica de mulheres no ensino superior brasileiro, considerando a centralidade do trabalho de cuidado e da apropriação histórica do trabalho reprodutivo no interior da sociabilidade capitalista, patriarcal e racializada. Parte-se da compreensão de que as responsabilidades socialmente atribuídas às mulheres no âmbito doméstico e do cuidado constituem elementos estruturantes das desigualdades sociais, impactando diretamente as possibilidades de acesso, permanência e conclusão da formação universitária. A pesquisa fundamenta-se nas perspectivas materialista histórico-dialética e decolonial, entendendo que a formação social brasileira é atravessada pela consolidação de relações patriarcais, racistas e capitalistas-coloniais que organizam a divisão sexual e racial do trabalho e sustentam mecanismos históricos de exploração e subalternização. Nesse sentido, a investigação busca como a naturalização do cuidado enquanto atribuição feminina repercute na experiência acadêmica das estudantes, especialmente diante da sobrecarga decorrente da conciliação entre trabalho produtivo, trabalho reprodutivo, responsabilidades familiares e formação educacional. O estudo também discute a constituição da universidade brasileira em suas particularidades históricas e sociais, considerando os limites estruturais do acesso democrático ao ensino superior e os desafios relacionados à permanência estudantil em um contexto marcado por desigualdades sociais profundas. Analisa-se, ainda, o papel das políticas de assistência estudantil e das discussões contemporâneas acerca da política nacional de cuidados e da família enquanto estratégias relevantes para o enfrentamento das desigualdades de gênero no espaço acadêmico, sobretudo no que se refere às condições materiais e sociais necessárias à permanência das mulheres na universidade. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza quanti-qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise de dados secundários produzidos por instituições como IBGE, PNAD Contínua, DIEESE e órgãos governamentais, buscando articular os indicadores sociais às determinações históricas e estruturais que conformam a realidade das mulheres no ensino superior brasileiro.