TENDÊNCIAS FAMILISTAS EM TEMPOS DE AVANÇO CONSERVADOR
Programa Bolsa Família. Familismo. “Questão social”. Conservadorismo. Sobrecarga feminina.
Por meio dos estudos acerca da política social brasileira, a presente dissertação reflete sobre as inclinações contemporâneas e determinações históricas desse espaço de análise e atuação. Nessa direção, tem-se como referência o Programa Bolsa Família (PBF), tendo em vista sua construção e relevância na realidade, considerando-o como uma das principais iniciativas do governo para o enfrentamento da pobreza no país, mas que incorpora complexos contraditórios próprios do contexto de sua formulação. Nota-se que o programa carrega traços conservadores que estão em consonância com a ascensão do projeto neoliberal empreendido a partir da década de 1990, logo após às conquistas promulgadas pela Constituição Federal de 1988. Tais aspectos trazem ao centro das discussões o fortalecimento das tendências familistas no seio das políticas sociais, tornando o PBF um campo interessante de análise dessas dinâmicas contraditórias próprias do capital. Diante disso, o estudo é construído considerando os seguintes elementos: o significado das políticas sociais no capitalismo, a formação sócio-histórica brasileira, os impactos da “questão social”, a construção da assistência social e do PBF, o avanço conservador no período mais recente (2016-2022), as tendências familistas e a sobrecarga das mulheres beneficiárias cobradas pelo cuidado extensivo com a família. Tais dimensões contemplam a estruturação do Bolsa Família e o colocam como um espaço desafiador para a pesquisa.