Banca de DEFESA: JARDSON SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JARDSON SILVA
DATA : 19/02/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório NEPSA 2
TÍTULO:

SEMPRE OS OUTROS DITARAM O QUE EU SOU, EU SEMPRE ESTIVE REFÉM”: IMPLICAÇÕES DA OFENSIVA CONSERVADORA PARA A SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO LGBTI+ NO BRASIL


PALAVRAS-CHAVES:

Conservadorismo; Violência; População LGBTI+; Sofrimento Psíquico.


PÁGINAS: 147
RESUMO:

A ofensiva conservadora, consolidada mediante o golpe parlamentar de 2016 no Brasil, a ascensão à presidência de Bolsonaro (PL) em 2018 e a construção do bolsonarismo, tem impactado as diversas dimensões da vida social. Suas repercussões podem ser identificadas nas variadas retrações de direitos que o conjunto da classe trabalhadora tem vivenciado nos últimos anos, assim como através do recrudescimento das expressões da violência que materializam os processos de exploração/opressão de diferentes formas, como por meio do aumento do genocídio da população negra, do feminicídio e dos crimes de ódio contra a população LGBTI+. Para as pessoas que orientam sua vida afetivo-sexual fora da cisheterossexualidade, elementos socioculturais e históricos, fundados na estrutura da sociedade capitalista, racista e cisheteropatriarcal, aprofundam o cenário de violência e de violação de direitos, que, associados ao avanço do projeto neoliberal-conservador, acentuam os processos de sofrimento psíquico desses indivíduos, posto que se tem uma realidade de preconceito, discriminação, morte, medo, desumanização e opressão. Nesta direção, objetivamos com esta dissertação analisar as implicações da ofensiva conservadora e da reprodução da violência, no contexto da sociedade capitalista, racista e cisheteropatriarcal brasileira, para a saúde mental da população LGBTI+. Como objetivos específicos, buscamos apreender o processo de ofensiva conservadora orquestrado com a ascensão do bolsonarismo no Brasil e suas consequências para a população LGBTI+; identificar as expressões da violência contra as pessoas LGBTI+, os principais agentes violadores e sua relação com os processos de sofrimento psíquico; investigar a relação entre as condições de vida e existência da população LGBTI+ e a produção do sofrimento psíquico; e, analisar os impactos da violência LGBTIfóbica na saúde mental desses indivíduos. Para tanto, ancorado no materialismo histórico-dialético, apresentamos um estudo do tipo quanti-qualitativo, em que recorremos às pesquisas bibliográfica e documental e à entrevista semi-estruturada, a qual foi realizada com usuários/as do Centro Municipal de Cidadania LGBT de Natal/RN. No que se refere à análise documental, utilizamos os dados dos Relatórios de Mortes Violentas de LGBTI+ e do Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+, produzidos, respectivamente, pelo Grupo Gay da Bahia e pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil, tendo como recorte temporal o período de 2018 a 2023, visto que consideramos que a violência LGBTIfóbica é uma das manifestações mais aviltadas do (re) ascenso do conservadorismo reacionário nessa conjuntura. Diante disso, apreendemos que a ofensiva conservadora, ao propagar discursos de ódio, violência e revitalizar uma agenda política de retrocessos, deslegitima a diversidade sexual e de gênero, aspectos que, calcados nas bases materiais desta sociabilidade, impactam não apenas na reprodução da violência LGBTIfóbica, mas também na subjetividade desses indivíduos, posto que são dimensões que estão condionadas às condições objetivas que conformam as relações sociais. Nota-se, portanto, que esse cenário produz um sofrimento forjado nas constantes violações de direitos, requisitando que a luta por saúde mental não esteja dissociada do horizonte de superação da sociedade capitalista, racista e cisheteropatriarcal.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1149518 - SILVANA MARA DE MORAIS DOS SANTOS
Interna - 1714329 - ANDREA LIMA DA SILVA
Externa à Instituição - ROBERTA SALAZAR UCHÔA
Notícia cadastrada em: 07/02/2025 22:46
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