Efeitos Clínicos e Biológicos do Yoga como Intervenção Adjuvante no Transtorno Depressivo Maior: Um Ensaio Clínico Randomizado
Palavras-chaves: Yoga; Transtorno Depressivo Maior; Biomarcadores; Terapias Corpo-Mente; Escitalopram.
Intervenções corpo-mente têm recebido crescente atenção como estratégias adjuvantes no tratamento dos transtornos depressivos, especialmente devido ao seu potencial de atuar simultaneamente sobre sintomas clínicos e mecanismos biológicos relacionados ao estresse, à inflamação e à neuroplasticidade. Apesar do crescente interesse por essas abordagens, permanecem limitadas as evidências acerca dos efeitos do Yoga sobre biomarcadores biológicos associados à depressão, particularmente quando combinado ao tratamento farmacológico convencional. Nesse contexto, o presente estudo avaliou o potencial terapêutico adjuvante de um protocolo multimodal de Yoga com ênfase nos ásanas, associado à farmacoterapia com escitalopram, em comparação à farmacoterapia exclusiva, em pacientes com Transtorno Depressivo Maior (TDM). Foram analisados desfechos clínicos e biomarcadores bioquímicos relacionados aos sistemas neuroendócrino, inflamatório e neurotrófico, incluindo cortisol, proteína C-reativa (PCR) e fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Trata-se de um ensaio clínico aberto, controlado e randomizado (N = 66), com duração de 12 semanas. Os participantes foram alocados em dois grupos: farmacoterapia exclusiva com escitalopram (grupo ESC) e farmacoterapia associada a um protocolo de Yoga domiciliar com ênfase nos ásanas (grupo EYA). Os resultados preliminares demonstraram reduções progressivas e significativas dos sintomas depressivos em ambos os grupos ao longo das 12 semanas (MADRS, p < 0,001), sem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos momentos avaliados. Na avaliação por autorrelato (BDI-II), o grupo EYA apresentou melhora contínua durante todo o acompanhamento, enquanto o grupo ESC apresentou redução dos sintomas entre as semanas 0 e 5, sem diferenças entre grupos. Em relação à qualidade do sono (PSQI), ambos os grupos apresentaram melhora significativa ao longo do estudo, com vantagem para o grupo Yoga na quinta semana (p = 0,020), embora os grupos tenham apresentado níveis semelhantes ao final do acompanhamento (p = 0,321). Em conjunto, os resultados sugerem que a associação entre Yoga e farmacoterapia produz benefícios clínicos comparáveis aos observados com a farmacoterapia isolada, reforçando o potencial do Yoga como intervenção corpo-mente adjuvante no tratamento da depressão. Estudos adicionais envolvendo biomarcadores biológicos poderão contribuir para a compreensão dos mecanismos subjacentes a esses efeitos e para a identificação de perfis clínicos mais responsivos a essa abordagem integrativa.