Banca de QUALIFICAÇÃO: GESSICA RAFAELLY DANTAS DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : GESSICA RAFAELLY DANTAS DA SILVA
DATA : 12/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 1 PPG Psicobiologia
TÍTULO:

COGNIÇÃO ESPACIAL E PADRÕES DE MOVIMENTO EM SAGUIS SELVAGENS (CALLITHRIX JACCHUS)


PALAVRAS-CHAVES:

Caatinga, cognição, ecologia do movimento, primatas


PÁGINAS: 100
RESUMO:

O movimento animal é um processo fundamental para a sobrevivência, conectando a distribuição espacial de recursos aos processos decisórios que determinam o acesso a eles. Esse comportamento resulta da interação entre mecanismos ecológicos e cognitivos que operam em múltiplas escalas espaciais e temporais. Compreender suas causas exige integrar abordagens tradicionalmente tratadas de forma paralela: a ecologia do movimento, que descreve a geometria dos deslocamentos em função da estrutura espacial dos recursos; os processos de tomada de decisão, que revelam as regras e heurísticas utilizadas localmente; e a cognição espacial, que investiga como a memória e as representações mentais organizam a navegação. Esta tese investiga como a distribuição espacial e temporal de recursos modula as estratégias de movimento de Callithrix jacchus na Caatinga, adotando uma perspectiva integrativa que transita da descrição de padrões estocásticos à inferência de mecanismos cognitivos de navegação. A pesquisa está estruturada em quatro capítulos interdependentes. O primeiro capítulo apresenta uma síntese teórica da literatura sobre navegação espacial em primatas, destacando a plasticidade no uso de heurísticas e diferentes tipos de representações espaciais em função do contexto ecológico. O segundo capítulo confronta modelos nulos de busca, como as caminhadas de Lévy, com modelos baseados em heurísticas espaciais, avaliando se a geometria das trajetórias reflete decisões orientadas por memória e pela produtividade das manchas de forrageio. O terceiro capítulo aprofunda a análise da organização espacial do movimento, investigando a fidelidade e a flexibilidade no uso de rotas ao longo de ciclos sazonais, sob a hipótese de que a previsibilidade de recursos na estação seca favorece a reutilização de trajetos familiares. Por fim, o quarto capítulo examina a natureza da representação espacial da espécie, testando a hipótese de que os saguis utilizam um modelo de mapa do tipo grafo, integrando informações topológicas e métricas locais (distância e direção), para permitir navegação flexível entre locais conhecidos. Ao combinar dados de longo prazo com múltiplas análises de movimento, pretendemos demonstrar que a navegação de C. jacchus resulta de um sistema dinâmico e dependente de contexto, no qual regras simples de decisão e representações espaciais são ajustadas às demandas de um ambiente altamente sazonal. Dessa forma, o estudo contribui para uma compreensão integrada dos mecanismos que governam o uso do espaço em primatas neotropicais e para o avanço conceitual na interface entre ecologia do movimento e cognição espacial.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1149552 - ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
Interno - 2316116 - FELIPE NALON CASTRO
Interna - 2696495 - RENATA GONCALVES FERREIRA
Notícia cadastrada em: 10/02/2026 15:08
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