EFEITOS DA APTIDÃO FÍSICA E DO EXERCÍCIO FÍSICO NA SONOLÊNCIA, FADIGA E ATENÇÃO DE POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS
Sono; Exercício Físico; Trabalho em Turnos
Introdução: Policiais Rodoviários Federais (PRFs) desempenham funções críticas para
a segurança pública, muitas vezes sob regimes de trabalho que impõem demandas
extremas ao sistema circadiano, à atenção sustentada e à saúde física e mental. Os regimes
de trabalho desses profissionais variam, com um grupo (operacional) submetido a turnos
irregulares de 24 horas de trabalho por 72 horas de folga, e outro (administrativo) com
jornada diurna fixa de 8 horas. Essa diferença expõe o grupo operacional a desafios como
desregulação circadiana e privação de sono, impactando atenção e tomada de decisão.
Evidências sugerem que o exercício físico pode atuar como modulador circadiano e fator
protetor cognitivo, mas intervenções anteriores foram realizadas em grupos que
simulavam o trabalho em turno e nenhum comparou com trabalhadores em jornada fixa
diurna, havendo desse modo, a lacuna da aplicabilidade prática nos contextos laborais.
Objetivos: Dessa forma, este estudo visa investigar os efeitos da aptidão física e de
protocolos de exercício físico agudo na sonolência, fadiga e atenção de PRFs. Os
objetivos específicos incluem: a) Comparar os efeitos da aptidão física na vigília
ocupacional, fadiga e atenção entre os diferentes turnos laborais; b) Comparar os efeitos
agudos do exercício físico na vigília ocupacional, fadiga e atenção entre os diferentes
turnos laborais. Método: Trata-se de um estudo dividido em duas fases. A Fase I
consistirá em um estudo observacional, transversal e comparativo entre PRFs do grupo
operacional e administrativo, lotados no Rio Grande do Norte. Serão avaliados: aptidão
física (subjetiva pelo IPAQ e objetiva pelo Teste de Aptidão Física - TAF da PRF),
sonolência (Escala de Sonolência de Karolinska - KSS e actigrafia), atenção (Teste de
Vigilância Psicomotora - PVT), fadiga (Escala de Fadiga de Chalder - CFS e dispositivo
Dersalis) e cronotipo (Questionário de Horne e Östberg - HO). A Fase II será um ensaio
clínico controlado randomizado do tipo crossover, aplicado tanto no grupo administrativo
quanto operacional. Nesta fase, os voluntários serão submetidos a duas condições
experimentais (exercício físico agudo e controle), atuando como seu próprio controle. A
intervenção de exercício físico agudo consistirá em uma sessão de 20 minutos de
exercício aeróbico em cicloergômetro, realizada aproximadamente 16 horas após o
despertar, durante o turno de trabalho. Os mesmos instrumentos da Fase I (exceto TAF
e HO que são basais) serão utilizados para avaliar os desfechos pré e pós-
intervenção/controle. Análises: A análise estatística será realizada com os softwares
Jamovi, SPSS e da linguagem Python, empregando testes t pareados e, em caso de não
normalidade, testes de Wilcoxon. As comparações pré e pós-intervenção avaliarão
mudanças nos níveis de sonolência, fadiga e desempenho atencional. O nível de
significância adotado será de 5%. Espera-se que os achados contribuam para o
desenvolvimento de estratégias não farmacológicas aplicáveis em contexto real,
promovendo saúde ocupacional e desempenho seguro entre PRFs.