ENTENDENDO AS DIFERENÇAS SEXUAIS NA ADOLESCÊNCIA E O IMPACTO DA REGULARIDADE E DAS FASES DO CICLO MENSTRUAL NO CICLO SONO E VIGÍLIA, ESTRESSE, SAÚDE MENTAL E COGNIÇÃO
Diferenças sexuais; Ciclo menstrual; Qualidade do sono; Sonolência diurna; Ansiedade; Depressão.
Adolescentes matriculados em aulas matutinas frequentemente enfrentam um conflito entre seus ritmos endógenos e sociais, levando a sono insuficiente, horários irregulares de sono e desalinhamento circadiano, o que é prejudicial para a cognição e a saúde mental. Além disso, adolescentes do sexo masculino e feminino podem ser impactados de forma diferente por esse desafio temporal, uma vez que as meninas apresentam maior necessidade de sono e maior prevalência de problemas de sono. Ainda, diferenças sexuais não devem ser avaliadas sem considerar as variações hormonais, que caracterizam as fases do ciclo menstrual e impactam a sua regularidade, como fator moderador. Sendo assim, este trabalho teve como objetivo analisar as diferenças sexuais, considerando a regularidade e fases do ciclo menstrual, no ciclo sono e vigília, na saúde mental e na cognição de adolescentes cursando os primeiros anos do ensino médio. Primeiro, adolescentes do ensino médio matriculados nos turnos matutino e integral (F: 136/15,9±0,9 anos; M: 76/16,1±1,1 anos) responderam ao Questionário de Hábitos de Sono, Questionário de Cronotipo de Munique, Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, Escala Pediátrica de Sonolência Diurna e Escala de Ansiedade, Depressão e Estresse-21. Em seguida, parte dos estudantes (F: 20; M: 42) continuou o protocolo com diários de sono e actigrafia (meninas durante um ciclo menstrual completo e meninos por dez dias) e realizaram tarefas cognitivas. Na primeira fase, o sexo feminino previu pior qualidade do sono (β=-0,43; p<0,01) e maior sonolência diurna (β=-0,27; p<0,05). Além disso, o sexo feminino (β=-0,34; p<0,01) e o ciclo menstrual irregular (β=0,29; p<0,05) previram pior saúde mental e estresse. Na segunda fase, as meninas apresentaram menor Índice de Regularidade do Sono (β=0,55; p<0,01) e maiores níveis de estresse (β=-0,90; p<0,001), ansiedade (β=-0,97; p<0,001) e depressão (β=-0,74; p<0,001). A fase lútea previu uma tendência à vespertinidade (β=0,67; p<0,05) e maior jetlag social (β=0,70; p<0,05). Na análise de índices não paramétricos do ritmo de atividade e repouso extraídos da actigrafia, o sexo feminino apresentou menor magnitude e início mais cedo do M10 (p<0,05). Ademais, a menor estabilidade interdiária do ritmo circadiano (IS) foi associada a maiores níveis de estresse (β = -25,3; z = -2,04; p < 0,05). Por fim, não foram encontradas diferenças significativas no desempenho cognitivo em nenhuma das análises. Nossos resultados indicam que adolescentes do sexo feminino apresentam pior qualidade de sono, maior necessidade de sono e menor resistência à privação de sono, associado a maiores níveis de estresse, ansiedade e depressão. Além de apresentarem uma tendência à matutinidade, indicado pelo início de M10. Vale ressaltar que as diferenças sexuais sofrem influência da regularidade e da fase do ciclo menstrual, portanto, conclusões sobre essas diferenças sem considerar esses outros aspectos podem ser errôneas.