Impactos do Tratamento com Cetamina na Qualidade do Sono e nos Níveis de Cortisol: Uma Abordagem Integrada da Resposta Clínica em Pacientes com Depressão Resistente ao Tratamento
Palavras-chave: escetamina; psicodélico não-clássico; psicoterapia, biomarcador
A cetamina, um anestésico dissociativo, tem demonstrado rápida ação antidepressiva em pacientes com Depressão Resistente ao Tratamento. No entanto, os mecanismos fisiológicos que mediam seus efeitos terapêuticos ainda não estão completamente esclarecidos. Entre os possíveis mediadores, destacam-se a qualidade do sono, considerando que distúrbios do sono fazem parte da sintomatologia depressiva e são preditores da resistência ao tratamento, e os níveis de cortisol, principal biomarcador da depressão, frequentemente alterado nessa população. Diante disso, o presente estudo investigará a qualidade do sono e os níveis plasmáticos de cortisol em resposta ao tratamento semanal com escetamina (o enantiômero "S" da cetamina racêmica), administrada por via subcutânea durante oito semanas, com e sem suporte psicoterapêutico (N = 46). As avaliações ocorrerão em três momentos: baseline, 4ª e 8ª semanas. Serão coletados dados sobre a qualidade do sono, por meio da versão brasileira do Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI-Br), sintomas depressivos, avaliados pela Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale (MADRS) e pelo Beck Depression Inventory-II (BDI-II), além de amostras plasmáticas para dosagem de cortisol. Hipotetiza-se que o tratamento com escetamina promoverá melhora na qualidade do sono e uma regulação nos níveis de cortisol, com efeitos mais pronunciados no grupo com suporte psicoterapêutico. Além disso, sugere-se que os níveis basais de cortisol e da qualidade do sono possam atuar como preditores da resposta clínica e a resposta desses processos, como mediadores do tratamento em ambos os grupos. Os achados deste estudo poderão contribuir para a compreensão dos mecanismos fisiológicos associados à resposta clínica ao tratamento com escetamina, oferecendo subsídios para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e personalizadas para pacientes com depressão resistente ao tratamento.