ESTUDO DOS POTENCIAIS DE CAMPO LOCAIS DO HIPOCAMPO DE RATOS ASSOCIADOS A CORRIDA EM ESTEIRA E AO EFEITO DO EXERCÍCIO SOBRE O SONO REM
Palavras-chave: ritmo teta, velocidade de locomoção, eletrofisiologia, sono REM tônico, sono REM fásico.
No primeiro capítulo desta tese, é apresentado um manuscrito em preparação para submissão a uma revista Qualis A1, no qual investigamos o efeito da velocidade de locomoção em esteira sobre a frequência e a potência do ritmo teta no hipocampo. Este trabalho insere-se no contexto de um debate ainda atual sobre a relação entre a potência e a frequência do ritmo teta hipocampal com a aceleração e a velocidade instantânea, conforme discutido em estudos prévios como Kropff et al. (2021) e Kennedy et al. (2022). Para isso, foram implantadas matrizes bilaterais de eletrodos em cinco ratos machos Wistar adultos, permitindo o registro do potencial de campo local (LFP) no hipocampo dorsal durante corridas sob 3 taxas de aceleração e 3 velocidades distintas. Neste capítulo concluímos que a transição de estado estacionário para movimento ambulatório leva ao aumento sustentado da potência e ao aumento transitório da frequência do ritmo teta no hipocampo e concluímos que a velocidade instantânea, e não a aceleração, determina a frequência do ritmo teta hipocampal.
No segundo capítulo, avaliamos o efeito do treinamento de corrida em esteira sobre o ritmo teta do hipocampo durante o sono REM. Utilizamos matrizes de eletrodos para registro do LFP no hipocampo e no córtex frontal esquerdo de 8 ratos Wistar durante o sono, ao longo de 12h da fase clara, antes e depois de um protocolo de exercício de 28 dias. Observamos que o protocolo de exercício resultou em uma redução significativa do tempo total de sono REM e da potência global do LFP (0-110 Hz) na região CA1 do hipocampo durante o sono REM fásico. Até o momento, não identificamos estudos prévios que abordassem o efeito do exercício físico nos ritmos oscilatórios do hipocampo durante o sono REM tônico (4 - 10 Hz) ou fásico (6 - 12 Hz). Além disso, verificamos que a potência do ritmo teta durante o sono REM fásico apresentou correlações significativas com o tempo total de sono REM fásico e com a quantidade e a duração média dos eventos de sono REM fásico, somente após os 28 dias de treinamento.
Em conjunto, os nossos resultados demonstram o impacto da velocidade e da aceleração nas características espectrais do ritmo teta, bem como os efeitos do exercício físico intenso sobre o ritmo teta durante o sono REM e suas subdivisões tônica e fásica. Esses achados corroboram estudos anteriores que relacionam o ritmo teta hipocampal à velocidade de locomoção e ampliam a compreensão sobre a influência do exercício físico no ritmo teta durante o sono REM.