Efeitos Protetores e Mecanismos Associados do Suco de Cajá (Spondias mombin L.) e sua Versão Fermentada com L. acidophilus NRRL B-4495 na Mucosite Intestinal Induzida por 5-Fluorouracil em Camundongos.
Mucosite intestinal; Spondias mombin L.; L. acidophilus; fermentação; nutracêuticos; 5-FU.
A Mucosite Intestinal (MI) induzida por quimioterapia, especialmente pelo 5-FU (5 Fluorouracil), representa uma importante limitação terapêutica, sendo caracterizada por dano epitelial, inflamação exacerbada, disfunção da barreira intestinal e alterações na microbiota. Nesse cenário, estratégias nutracêuticas baseadas em alimentos ricos em compostos bioativos e sua associação com probióticos têm emergido como alternativas promissoras. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito do suco de cajá (Spondias mombin L.) in natura e do suco de cajá fermentado com L. acidophilus em um modelo experimental de MI induzida por 5-FU. Camundongos foram distribuídos em grupos experimentais e submetidos à administração oral dos tratamentos por 18 dias, sendo a mucosite induzida no 15º dia por injeção intraperitoneal de 5-FU. Foram avaliados parâmetros histológicos, marcadores inflamatórios (IL-1β, IL-6 e TNF-α), expressão de mucina (MUC-2), atividade enzimática intestinal (invertase), quantificação das bactérias ácido-láticas antes e após a inflamação e perfil metabólico fecal por cromatografia gasosa. O 5-fluorouracil (5-FU) induziu perda ponderal de 10,23% e aumentou o dano histopatológico intestinal. No duodeno, jejuno e íleo, o grupo 5-FU apresentou escore histopatológico mediano de 3, enquanto o grupo salina apresentou escore 0. Os tratamentos com o suco de cajá não impediram a perda ponderal, com reduções de 14,91% no grupo tratado com o suco in natura e de 14,57% no grupo que recebeu o suco fermentado. Entretanto, ambos os tratamentos reduziram os escores histopatológicos no duodeno, jejuno e íleo para mediana de 1 (p < 0,01 em comparação ao grupo 5-FU). O suco fermentado preservou significativamente a atividade da invertase intestinal (p < 0,05 em comparação ao grupo 5-FU). Os tratamentos também aumentaram a expressão de MUC-2 e reduziram as concentrações de IL-1β e IL-6 (p < 0,05) e TNF-α (p < 0,001). No 18º dia, as contagens de bactérias ácido-láticas foram de 7,2 ± 0,1 log UFC/g no grupo tratado com o suco in natura e de 7,8 ± 0,6 log UFC/g no grupo que recebeu o suco fermentado, em comparação com 6,4 ± 0,2 log UFC/g no grupo salina e 6,5 ± 0,1 log UFC/g no grupo 5-FU (p < 0,05). A análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas identificou os triterpenos α-amirona e α-amirina exclusivamente nas fezes dos grupos tratados. Em conjunto, os resultados demonstram que o suco de cajá, especialmente quando fermentado com L. acidophilus, atenuou o dano histopatológico e a resposta inflamatória, preservou componentes estruturais e funcionais da mucosa intestinal e modificou o perfil bacteriano e metabólico fecal, embora não tenha prevenido a perda ponderal induzida pelo 5-FU.