POTENCIAL NUTRACÊUTICO DOS RESÍDUOS DE CAJÁ E UMBU: APROVEITAMENTO SUSTENTÁVEL E DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS
Spondias; aproveitamento de resíduos; compostos bioativos; cosméticos; alimentos funcionais.
O processamento de frutas tropicais, como cajá e umbu, gera uma grande quantidade de resíduos orgânicos ricos em compostos bioativos e matérias-primas de interesse industrial. Assim, torna-se essencial a adoção de estratégias eficientes de aproveitamento e valorização destes resíduos agroalimentares. Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar o potencial nutracêutico de farinhas obtidas a partir dos resíduos de cajá (Spondias mombin L.) e umbu (Spondias tuberosa), na perspectiva de desenvolver novos produtos. Na primeira etapa, as farinhas foram caracterizadas e torradas a 165 °C, 170 °C, 175 °C e 180 °C por 6 minutos. Após a cocção, as amostras foram avaliadas quanto à cor, ao teor total de compostos fenólicos, à atividade antioxidante, à inibição enzimática e às propriedades tecnológicas. Na segunda etapa, foram produzidas farinhas compostas de arroz, as quais foram enriquecidas com substituições de 5%, 10% e 20% dos resíduos de cajá ou umbu. Essas farinhas enriquecidas foram avaliadas quanto à composição nutricional, fatores antinutricionais, cor, propriedades tecnológicas, bioacessibilidade in vitro de compostos fenólicos e atividades biológicas in vitro. Como resultados preliminares, na primeira etapa, os resíduos apresentaram resistência térmica até aproximadamente 200 °C. A cor variou significativamente entre as amostras, escurecendo com o aumento da temperatura. Os compostos fenólicos foram parcialmente degradados após a torrefação. No entanto, os valores obtidos garantiram a manutenção da capacidade antioxidante, com valores de IC50 de até 9,38 mg/mL e atividade hipoglicêmica in vitro superior a 70%. Na segunda etapa, ao analisar as farinhas compostas de arroz e resíduos de Spondias, o enriquecimento promoveu o aumento significativo no teor de fibras, minerais e compostos fenólicos, refletindo-se em maior potencial bioativo agregado. Observou-se correlação entre os teores de CFT e os resultados de inibição da lipase pancreática, da α-amilase, da amiloglicosidase e atividade antioxidante por sequestro dos radicais ABTS e DPPH. As farinhas com substituição moderada (5 e 10%) mantêm a funcionalidade com preservação das propriedades tecnológicas e da cor avaliadas. Por último, a terceira etapa consistirá no desenvolvimento de novos produtos a partir desses resíduos. Serão produzidos, inicialmente, cookies funcionais à base da farinha enriquecida com resíduos de cajá e umbu, os quais serão avaliados sensorialmente por 120 provadores não treinados. Em etapas futuras, espera-se desenvolver formulações cosméticas com a incorporação dos ativos presentes nos resíduos de Spondias. Assim, os resultados obtidos neste estudo poderão auxiliar a valorização e o aproveitamento sustentável dos resíduos de cajá e umbu, contribuindo para o desenvolvimento de novos produtos, diversificando suas formas de consumo, estimulando a economia local e a agricultura familiar, e impulsionando sua utilização em escala industrial.