A RELAÇÃO ENTRE NIILISMO E O CONCEITO “VONTADE DE VERDADE”, NO
PENSAMENTO DE NIETZSCHE
niilismo; vontade de verdade; metamorfoses; vida; superação
O pensamento nietzschiano esforça-se em denunciar que na base da verdade não há um fundamento
metafísico que lhe dê sustentação e assegure a sua validade, mas uma “vontade” de tornar fixo,
consistente, eterno e imutável o que está em permanente mudança. Problematizando essa vontade,
Nietzsche assevera que “nada é mais perigoso do que um desejo que contradiz a essência da vida”,
pois foi justamente a partir das fabulações metafísicas dessa vontade – conceituada como “vontade
de verdade” –, que se desdobrou o grande problema do Ocidente: o niilismo. Sendo o niilismo
aquilo que constitui a “lógica” do processo histórico, buscaremos compreender como se deu a sua
formação, bem como os caminhos trilhados pelo filósofo para uma possível superação desse
predominante dizer “não” à vida. Levando em consideração que o niilismo, na interpretação der
Nietzsche, não é um fenômeno uniforme, mas complexo e dinâmico por sofrer variadas
metamorfoses ao longo do seu desenvolvimento histórico, buscaremos compreender e explicitar
como se constituem cada uma de suas formas e as possíveis relações que podem haver entre elas e a
vontade de verdade. Entendemos que, embora tais tensões e relações não estejam apresentadas de
forma sistematizada nas obras de Nietzsche, é possível confluir os apontamentos e reflexões
desenvolvidos em seus escritos para sustentar as principais ideias da tese, que são: 1 procedência
histórica, o desenvolvimento e a consumação do niilismo na modernidade, bem como as suas
mudanças de forma estão diretamente relacionados à vontade de verdade, sendo este um conceito
imprescindível para a compreensão deste fenômeno em toda a sua amplitude histórica. 2 A crítica
nietzschiana à vontade de verdade pode ser compreendida como propedêutica à superação do
niilismo enquanto negação da vida, possibilitando advir mais uma de suas metamorfoses – nesse
formato, supostamente inédito na visão nietzschiana, o niilismo se esvaziaria de seu aspecto
negador e se metamorfosearia em plena afirmação do mundo, a partir das concepções vontade de
poder, eterno retorno e amor fati.