SOBRE SCHOPENHAUER E O MATERIALISMO: UM ESTUDO À LUZ DA DEMARCAÇÃO DE IDEAL E REAL
Alfred Schmidt. Arthur Schopenhauer. Real e Ideal. Idealismo. Materialismo.
No ano de 1970, foi publicado um texto que até os dias atuais se mostra relevante às pesquisas em que o escopo relaciona dois temas da doutrina schopenhaueriana aparentemente em descompasso. Nesta produção, Alfred Schmidt defende uma tese controversa, associando estes dois tópicos comentados, e intitula-a, de forma bem direta e sugestiva, como: “Schopenhauer e o materialismo”. Em seu texto, Schmidt sustenta a leitura de um Schopenhauer materialista, atendo-se, aparentemente, à uma imagem do autor de Danzig muito atrelada à sua influência kantiana, pois a forma como Schopenhauer passa a abordar a perspectiva objetivo-materialista, com a publicação de Sobre a vontade na natureza, em 1836, mas, estabelecida efetivamente com o lançamento da segunda edição de O mundo como vontade e representação, traz ao intérprete a impressão de um recuo na perspectiva subjetivo-idealista abordada pela doutrina schopenhaueriana. Com o advento destas publicações, Alfred Schmidt compreende que teria Arthur Schopenhauer realizado uma movimentação marcante em sua filosofia, a qual se inicia, segundo o intérprete, como idealista, mas, passa a estabelecer-se em terreno materialista. Partindo da argumentação de Schmidt, mas pondo-a em contato com uma leitura sob à luz da necessidade de complementaridade trazida pela doutrina schopenhaueriana, o intuito desta pesquisa é dissertar sobre a relação entre Schopenhauer e materialismo, elucidando a postura que estabelece o pensamento do autor desde a primeira edição de O mundo como vontade e representação. Desde a primeira edição, a filosofia schopenhaueriana preza por não se ater às posturas dogmáticas de seus predecessores e contemporâneos, e essa postura é reafirmada em sua demarcação elucidada na segunda edição de sua obra magna. Schopenhauer propõe sua visão do mundo como representação abarcando o subjetivo e o objetivo, a filosofia e a ciência, idealismo e materialismo: cada perspectiva complementando seu par e contrário.