OS FUNDAMENTOS ONTOEPISTEMOLÓGICOS DO FIM DO MUNDO: UMA ANÁLISE DA LÓGICA DA OBLITERAÇÃO EM DENISE FERREIRA DA SILVA
Palavras-Chave:Denise Ferreira da Silva; Ontoepistemologia; Fim do mundo; Lógica da Obliteração.
A Professora Denise Ferreira da Silva circunscreve como questão mais recente de seu empreendimento teórico o questionamento de quais seriam os efeitos, consequências e desdobramentos oriundos do abandonamento dos procedimentos críticos modernos que têm como seus fundamentos as mesmas bases ontológicas e epistemológicas da racialidade (esta entendida como uma ferramenta de promulgação da subjugação racial). Essa questão abrange também uma dúvida de quais seriam as implicações diretas para a filosofia enquanto campo do conhecimento. Acabamos retornando à filosofia por entender que esta, ao ser colocada como elemento qualitativo de avaliação – um tribunal da razão –, passa a constituir um processo certificador do que é bom e o que deve existir em detrimento do que deve ser anulando, apontando a racialização como um demarcador da obliteração enquanto necessidade. É partindo dessa questão e do reconhecimento de que o abandonar epistemológico também deve se reverberar como uma desestruturação do mundo como o conhecemos para se manter como uma contrariedade à morte dos corpos racializados, que passo a enxergar a urgência do rompimento com a forma e o modelo de razão/vida/consciência/filosofia moderna-ocidental. Essa estratégia será empregada mediante o emprego da negridade como significante da fim do mundo, porque ela é a representação do não-ser, do não-sujeito, ao ser circundada como uma categoria valorativa que indica a natureza de carne, coisa, excesso implicada nos corpos racializados a partir dos arranjos sociais, econômicos, políticos, éticos e simbólicos inerentes à sua corporeidade. Esse reordenamento da racialização, que atravessa o fim do mundo, será sustentado, conforme minha análise, em 3 pontos que demarcam sua imprescindibilidade: 1. A sustentação do mundo moderno nos fundamentos ontoepistemologicos e seus respectivos genitores (especialmente Descartes, Kant e Hegel); 2. A insuficiência de projetos emancipatórios oriundos da decolonialidade que reproduzem o mesmo mundo e a mesma lógica da obliteração; 3. A formação de um Pensamento Radical Negro Brasileiro que bebe nas conceituações de Denise parasustentar a morte como determinante existencial (pedindo o fim do mundo, o fim do cânone, a morte da forma e do modelo). Portanto, os propomos a estruturar não só uma análise do fim do mudo, mas delimitar uma compreensão sobre ele a partir de uma exegese da obra da Professora Ferreira da Silva.