MAL BANAL E O RACISMO ESTRUTURAL
contrato racial; mal banal; racismo antinegro; ignorância branca.
Esta pesquisa busca analisar o racismo estrutural a partir do conceito de Contrato Racial, formulado por Charles Wade Mills, estabelecendo um contraponto com a reflexão de Hannah Arendt sobre o Mal Banal. Nosso objetivo não é apenas compreender como o contrato social funciona como uma ferramenta de perpetuação do racismo estrutural, mas também demonstrar que o conceito de mal banal concebido por Arendt é insuficiente para abarcar a natureza do mal praticado no racismo antinegro. Pretendemos examinar a relação de poder e privilégios que emerge do contrato racial, no qual pessoas brancas estabelecem seus termos conforme seus interesses, enquanto pessoas não brancas são sistematicamente relegadas a posições subalternas. Esse processo historicamente se manifestou por meio da imposição de normas por aqueles que invadiram territórios, apagaram culturas e reescreveram histórias, sustentando diversas formas de extermínio ao longo da construção da sociedade. Ao analisar o caso de Adolf Eichmann, Arendt concebeu o mal banal como um fenômeno no qual indivíduos cometem atrocidades não por convicção ideológica, mas por conformidade burocrática e ausência de pensamento crítico. No entanto, argumentamos que essa formulação é insuficiente para explicar o mal que opera no racismo antinegro, uma vez que este não é resultado de uma mera obediência a ordens, mas de uma estrutura consciente e historicamente consolidada de opressão e hierarquização racial. Para fundamentar essa investigação, utilizaremos textos de autoras e autores como Kathryn Sophia Belle, Abdias do Nascimento, Sueli Carneiro e Lélia González, entre outros, que discutem o racismo estrutural e a questão negra. Assim, o propósito central deste estudo é demonstrar como o contrato racial sustenta o racismo estrutural dentro de um sistema político que priva a sociedade do conhecimento sobre suas verdadeiras origens, ao mesmo tempo em que questionamos os limites do conceito de mal banal para compreender a complexidade e a profundidade do mal inerente ao racismo antinegro.