HUMANISMO CONTRA ANTI-HUMANISMO NO MARXISMO: UMA REVISÃO CRÍTICA
marxismo humanista; anti-humanismo; althusserismo; ontologia do trabalho; dialética marxista
A presente dissertação propõe-se a discutir a querela acerca da possibilidade de uma antropologia filosófica enquanto fundamento na obra de Marx. Trata-se de uma polêmica clássica que anda lado a lado da publicação e recepção dos Manuscritos Econômico-Filosóficos ou Manuscritos de 1844, assumindo particular importância na segunda metade do século 20. De um lado, a posição da antropologia como fundamento. Do outro, a negação da antropologia como fundamento. Estabelecida essa identidade entre as interpretações, examinamos aqui algumas de suas diferenças. Nos propomos, portanto, a reconstruir alguns dos principais argumentos mobilizados de cada lado da trincheira, estabelecendo uma constelação das principais interpretações firmadas em torno da questão segundo essa antinomia. Do lado humanista, recorremos principalmente às obras de Herbert Marcuse, Erich Fromm, István Mészáros e Franck Fischbach. Do lado anti-humanista, recorremos à obra de Louis Althusser, Moishe Postone e José Arthur Giannotti. Recorremos, finalmente, à obra de Ruy Fausto como o “vôo da coruja de Minerva” em que se encerra o trabalho. Isso na medida em que sua obra constitui uma crítica das posições antitéticas segundo sua reconstrução do sentido da dialética através do binômio pressuposição e posição, que recoloca sob outros contornos a relação entre lógica e política.