Nietzsche e o reino da liberdade
Não-liberdade. Vontade de Poder. Forças. Lutas. Processos.
O objetivo desta pesquisa é investigar, no corpus do pensamento de Friedrich Nietzsche, a noção de “não-liberdade” (Unfreiheit) do homem à luz do conceito de vontade de poder (der Wille zur Macht). Partimos da hipótese de que tal conceito abarca um conjunto de pressupostos que tornam insustentável a liberdade na forma de arbítrio, vontade ou querer humano. Um desses pressupostos é a definição da vontade de poder: uma dinâmica ou processo (Prozess) por que a multiplicidade (Vielheit) de forças (Kräften) em luta configura uma fisiologia na qual a divisão entre orgânico e o inorgânico desaparecem. Desta forma, o homem que quer, pensa e age é mais um desses processos em dinâmica de forças, uma unidade múltipla na qual corre nele uma vontade livre (freien Willens), que tal vontade não é mais um querer com status de causa (Ursache), mas uma síntese de forças no corpo que interpreta a realidade (Realität). Nesses termos, demonstramos haver um livre fluxo de processos em disputa no mundo e uma não-liberdade do homem em intervir no mundo. Esse mesmo fluxo alimenta a disputa e preenche o homem com o sentimento de poder (Machtgefühls), de liberdade, com uma arte que é resultado das lutas e processos de forças.