INTENCIONALIDADE E DIALÉTICA NA FENOMENOLOGIA DE MERLEAU-PONTY
consciência; mundo; vida; intencionalidade; dialética.
Esta pesquisa parte da crítica de Renaud Barbaras ao projeto fenomenológico de Maurice
Merleau-Ponty, especificamente em relação à tentativa de Merleau-Ponty de superar o
problema da invulnerabilidade da consciência em relação ao mundo vivido. Com a análise da
crítica de Barbaras e de sua “fenomenologia da vida”, em que a noção de intencionalidade é
central, será possível identificar os problemas da leitura barbarasiana e indicar a necessidade
de tratar novamente das duas primeiras obras de Merleau-Ponty, a fim de resgatar sua
relevância e o seu potencial filosófico. Nessa retomada, comprometemo-nos com a
interpretação de Étienne Bimbenet, que destaca o esforço merleau-pontiano de redefinir o
humano para além do dualismo entre consciência e natureza. Nesse sentido, será possível
compreender que essa redefinição merleau-pontiana deve passar pela investigação do que
Luiz Damon Santos Moutinho chamou de “produtividade”, um poder de significação que, nas
“filosofias da consciência”, era atribuído estritamente ao sujeito cognoscente. Portanto, com o
auxílio de Bimbenet, devemos identificar, na fase fenomenológica de Merleau-Ponty, as
figuras da “produtividade” que resolvem o seu projeto de destituição da posição invulnerável
da consciência em relação ao mundo natural, que Barbaras indicava equivocadamente como
fracassado. Com essas figuras, podemos concluir, indo além de Bimbenet, que, em Merleau-
Ponty, trata-se de pensar a dicotomia clássica através da dialética de Hegel e Marx e, a partir
disso, conceber uma noção dialética de “intencionalidade” e de “vida”, capaz de entrelaçar
consciência e natureza sem anular nenhum dos termos.