A COMPREENSÃO DO SER HUMANO DE
LA ROCHEFOUCAULD
Moralistas franceses; Amor-próprio; Paixões; Sinceridade; Ética guerreira
Nesta tese, analisamos a compreensão do ser humano elaborada pelo pensador francês François VI, Duque de La Rochefoucauld (1613-1680). Ele fez parte do movimento filosófico e literário que ficou conhecido como os “moralistas franceses” e que reúne pensadores dos séculos XVII a XIX que se dedicaram a analisar a subjetividade e o comportamento humano. La Rochefoucauld foi um nobre, guerreiro, cortesão na corte de Luís XIII e Luís XIV e frequentador dos salões literários da alta sociedade parisiense. Em sua obra principal, Reflexões ou sentenças e máximas morais (1664), ele critica a cultura de dissimulação da sociedade de corte, denuncia as falsas virtudes que não passam de vícios disfarçados e apresenta um retrato da subjetividade humana no qual as paixões que habitam o coração do homem – instância irracional e inconsciente da mente – são os verdadeiros motivos por trás de como o ser humano age. Tais paixões são formas de manifestação do amor-próprio, um ímpeto vão e egoísta que, na medida do possível, convém conhecer e manejar. La Rochefoucauld sofreu influência de perspectivas ideológicas e culturais bastante diversas. Encontramos em suas reflexões tanto o pessimismo antropológico de matriz agostiniana quanto a defesa, mais otimista, da capacidade do homem de viver uma vida autêntica e autoafirmativa, inspirada no ethos guerreiro greco-romano. Assim, defendemos o argumento de que, para além de ser um mero estudioso da subjetividade humana, La Rochefoucauld possui um pensamento propositivo, no qual ele defende um ideal de homem honesto, corajoso e bem-educado, dotado de uma “grande alma” e que age motivado por desígnios grandiosos.