A volta para casa: caminhada em paisagem natural, entre processos e poéticas
caminhada, processo de criação, livro de artista, decolonialidade, corpo-vibrátil.
Esta pesquisa investiga a caminhada em paisagem natural como prática estética, sensível e ético-política, a partir de uma travessia a pé de aproximadamente 540 km pela beira-mar entre Fortaleza (CE) e Natal (RN). Compreendido como resistência à aceleração temporal contemporânea, o percurso adota os paradigmas da pesquisa-criação e da cartografia subjetiva, utilizando o corpo-vibrátil e a corpoliteracia como operadores metodológicos. O processo gera registros sensíveis por meio de diários de bordo, fotografias, coleta háptica de fragmentos naturais e intenciona confeccionar livros de artista. A investigação articula a dimensão ecológica das humanidades à intenção decolonial, abordando a areia em tríplice perspectiva: força ancestral, obstáculo físico e território vulnerável ao capital. Sob a ótica do tempo em espiral, a caminhada ressignifica memórias de migração familiar como poética de retorno e aliança com cosmologias locais. Assim, o trabalho propõe o caminhar como insurreição micropolítica, desobediência decolonial e prática de engendramento em um mundo danificado, produzindo sentidos estéticos e existenciais de reinscrição do corpo na terra.