ESTUDO FITOQUÍMICO DO EXTRATO AQUOSO DE SEMENTES DE Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan COM ATIVIDADE AEDICIDA
Aedes aegypti; Angico; Arboviroses; Bioinseticidas botânicos; Espectrometria de massas.
O Aedes aegypti é um mosquito vetor responsável pela transmissão de arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, que representam um grave problema de saúde pública, demandando o desenvolvimento de estratégias e medidas de controle da proliferação desses vetores. Nesse contexto, a investigação de extratos botânicos proveniente da biodiversidade da caatinga, como fonte sustentável de moléculas bioativas, representa uma alternativa para o desenvolvimento de larvicidas mais seguros e eficazes, promovendo saúde associada à segurança ambiental. A Anadenanthera colubrina é uma espécie vegetal rica em compostos bioativos apresentando um perfil farmacológico com evidências científicas que corroboram com suas propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. Estudos preliminares indicam que extratos aquosos de sementes de A. colubrina possuem compostos com atividade larvicida contra o Ae. aegypti, portanto, visando identificar os agentes envolvidos com a atividade larvicida dessa espécie, no presente trabalho realizou-se uma análise fitoquímica detalhada por espectrometria de massas. Essa análise permitiu a anotação de seis biomoléculas majoritárias: ácido paquímico, anadanthosídeo, bufotenina, β-sitosterol, estigmasterol e um derivado de anadanthoflavona. Os fitoesteróis β-sitosterol e estigmasterol são conhecidos por interferir no sistema nervoso de insetos, atuando sobre a acetilcolinesterase. Além disso, o β-sitosterol e flavonol já foram descritos por interromper o processo de ecdise em insetos, o que pode levar à morte de larvas de mosquitos. A bufotenina, por sua vez, é uma molécula neuroativa com potencial antiviral e inseticida, embora seu modo de ação ainda não seja completamente compreendido. O ácido paquímico, um inibidor de quinases, pode interferir em diversas vias de sinalização celular essenciais para a sobrevivência dos insetos. A presença dessas biomoléculas no extrato de A. colubrina sugere que a atividade aedicida observada pode ser resultado de uma ação sinérgica entre diferentes compostos, atuando em múltiplos alvos moleculares. No entanto, são necessários estudos mais aprofundados, como ensaios in vitro e in silico, para elucidar os mecanismos de ação precisos e a interação entre os diferentes componentes do extrato.