CARCINOMA NUT: RELATO DE CASO E ANÁLISE DO MICROAMBIENTE TUMORAL ATRAVÉS DOS MARCADORES VEGFA, STAT3 E CD163
Caso clínico, imuno-histoquímica, angiogênese, imunossupressão, macrófago associado ao tumor
O carcinoma NUT (CN) é uma neoplasia rara de rápida progressão, afeta ambos os sexos em qualquer faixa etária e é caracterizada geneticamente pela translocação envolvendo o gene NUTM1. O principal desafio dessa doença é a resistência às terapias convencionais, fato que enfatiza a importância de analisar casos clínicos passados para investigar os mecanismos da biologia tumoral e, com isso, aprimorar a condução clínica de casos atuais. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi caracterizar um caso de CN diagnosticado em 2019 na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil e analisar o microambiente tumoral utilizando os marcadores VEGFA, STAT3 e CD163, através de imuno-histoquímica (IHQ). Para isso, o prontuário e os exames de imagem do caso foram utilizados na caracterização clínica; lâminas histopatológicas foram obtidas para a captura de imagens histopatológicas e amostras parafinadas do tecido tumoral foram adquiridas para a realização dos testes de IHQ. O caso clínico apresentado ocorreu em um homem de 28 anos, com tumor primário localizado na cavidade nasal e metástase na vértebra torácica T11. Ele foi submetido às terapias convencionais de ressecção cirúrgica, quimioterapia e radioterapia, contudo o tumor apresentou resistência aos tratamentos, evoluiu rapidamente e o paciente faleceu 21 meses após o diagnóstico. As análises histopatológicas revelaram população de células tumorais monomórficas redondas, infiltrado de células polimorfonucleadas (PMN), focos hemorrágicos e presença de macrófagos. Tais achados guiaram a escolha dos três novos marcadores de IHQ, os quais apresentaram imunorreatividade na amostra tumoral do caso. Nesse cenário, a superexpressão de VEGFA sugere uma intensa atividade angiogênica, a presença de STAT3 indica um contexto de sinalização que promove imunossupressão e resistência à apoptose, além da presença de macrófagos CD163+ também indicar forte infiltração de células imunossupressoras no microambiente tumoral. Com isso, a implementação desses marcadores em painéis de IHQ pode auxiliar no acompanhamento do CN, oferecendo informações sobre tendência a metástases, atividade inflamatória e resistência tumoral, além de fomentar o desenvolvimento de abordagens imunoterápicas.