Extratos das sementes de Amburana cearensis e Erythrina velutina: impactos na sobrevivência, atividade de proteases intestinais e morfologia das larvas de Aedes aegypti e Aedes albopictus
Controle biológico, inibidores de proteases, inseticidas botânicos, alteração morfológica.
As arboviroses compreendem um grupo significativo de doenças virais, predominantemente transmitidas por mosquitos hematófagos, especialmente Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) e A. albopictus (Skuse, 1894). As estratégias convencionais de manejo dessas doenças se baseiam principalmente em inseticidas químicos sintéticos como medida de controle primária. Contudo, tal abordagem levanta preocupações em relação à toxicidade ambiental e à potencial resistência entre as populações de mosquitos. Em vista desses desafios, os inseticidas botânicos, incluindo os extratos vegetais, emergem como alternativas promissoras devido à sua biocompatibilidade e diversidade de modos de ação, minimizando impactos ambientais e resistência nos insetos. O presente estudo buscou estudar as propriedades inseticidas dos extratos das sementes de duas leguminosas da Caatinga, Amburana cearensis ((Allem.) A. C. Smith) e Erythrina velutina (Willd.), contra larvas (L4) de A. aegypti e A. albopictus. Os extratos foram obtidos pela solubilização do pó das sementes em água destilada (1:10, p/v), a 80 °C. As concentrações letais para 50% (CL50) e 90% (CL90) das larvas foram determinadas em intervalos de 24 e 48 horas. Alterações morfológicas foram examinadas utilizando um microscópio estereoscópico com câmera acoplada, e o desenvolvimento larval foi monitorado durante 15 dias. Análises zimográficas foram realizadas para avaliar a inibição de proteases digestivas nas larvas tratadas com os extratos. Os resultados indicaram que ambos os extratos apresentaram atividade larvicida, com o extrato de A. cearensis demonstrando uma maior eficiência. Especificamente, o extrato apresentou valores de CL50 de 0,45 mg/mL e 0,23 mg/mL para 24 e 48 horas em A. aegypti, respectivamente, e valores de CL50 de 0,34 mg/mL e 0,11 mg/mL em A.albopictus. Adicionalmente, o extrato de A. cearensis reduziu a atividade enzimática das proteases intestinais de ambas as espécies em mais de 70%, enquanto o extrato de E. velutina não apresentou efeito significativo. Atrasos no desenvolvimento larval em A. albopictus sugerem uma influência pronunciada da inibição de proteases resultante da ação do extrato de A. cearensis. As alterações morfológicas sugerem a presença de outros efeitos deletérios nos extratos: inibição de acetilcolinesterase (A. cearensis e E. velutina), disrupção da síntese de quitina e danos teciduais internos ou infecção que levam à melanização (E. velutina). Este estudo destaca o potencial promissor dos extratos de A. cearensis e E. velutina para o controle larval de A. aegypti e A. albopictus, com o extrato de A. cearensis emergindo como um candidato particularmente viável para o desenvolvimento de larvicidas botânicos. As descobertas ressaltam a importância da biodiversidade vegetal da Caatinga no desenvolvimento de bioprodutos, potencializando sua relevância cultural, biotecnológica e econômica, além de contribuir para uma estratégia integrada de manejo de arboviroses.