O SINDICATO DO CRIME NAS PAREDES DE NATAL: A PIXAÇÃO COMO ASSINATURA DO CONTROLE TERRITORIAL
pixação; territorialidade; Sindicato del Crime; Antropologia urbana
Esta pesquisa analisa como o Sindicato do Crime, facção com atuação expressiva em Natal, materializa disputas territoriais por meio das pixações, compreendidas como inscrições que revelam dinâmicas socioespaciais específicas. O estudo parte da hipótese de que o pixo ultrapassa a noção de desvio ou simples indicador de criminalidade, configurando-se como uma cartografia insurgente que explicita relações de poder, pertencimento e conflito, ao mesmo tempo em que tensiona a paisagem turística consagrada da cidade. A pesquisa desenvolve-se a partir de uma metodologia qualitativa, baseada em incursões de campo realizadas por meio de deslocamentos em linhas de ônibus urbanos que conectam os bairros de Felipe Camarão e Ponta Negra, articulando a observação sistemática dos trajetos, dos sujeitos e das espacialidades com o registro fotográfico das inscrições, das paisagens e dos fluxos urbanos. A pesquisa propõe evidenciar que o Sindicato do Crime se configura, no contexto atual, como o principal agente das pixações deste tipo em Natal, atuando de maneira estruturante na produção e organização das relações de poder no espaço urbano. Suas inscrições não apenas nomeiam territórios e sujeitos, mas performam o controle territorial ao delimitar fronteiras, marcar pertencimentos, orientar condutas e sustentar práticas como a arrecadação paralela e a imposição de hierarquias. Desse modo, a pesquisa demonstra que as pixações ocupam papel central na produção, leitura e regulação das territorialidades urbanas contemporâneas, constituindo-se como chave analítica para compreender as disputas que atravessam a cidade.