Entre o medo e o esquecimento da travesti: uma reflexão sobre o estigma e a invisibilização social de Chiquinha do Pedregal de Aracati-CE
Travestilidade, Memória, Fabulação crítica, Desenho, Chiquinha do Pedregal.
A presente pesquisa busca analisar a estigmatização e a invisibilização social que atravessam a vida e a morte de Chiquinha do Pedregal, uma travesti do município interiorano de Aracati-CE. Nesse sentido, articulando as memórias suscitadas ao redor dela e dos seus percursos em vida, bem como por ocasião de seu atropelamento e consequente morte, investigo os modos pelos quais os movimentos do apagamento e do medo foram construídos sobre ela. Para tanto, entrevistas, caminhadas com interlocutoras e levantamentos documentais foram realizados para a construção e discussão destes escritos. Assim, a trajetória de Chiquinha do Pedregal é elaborada a partir das memórias de amigas, conhecidos e moradores do seu bairro, situando o lócus da pesquisa e evidenciando suas formas de sociabilidade, circulação e existência. Além disso, a análise dos inquéritos policiais permite compreender como o Estado, por meio de dispositivos burocráticos, produz violências simbólicas, apagamentos e negações de humanidade sobre corpos travestis. A partir disso, e diante das ausências, violências e lacunas do arquivo oficial, a fabulação crítica e o desenho são mobilizados como estratégias metodológicas e políticas para restituir a humanidade à sujeita pesquisada. Por fim, ao inscrever a sua existência no espaço acadêmico, a pesquisa reafirma a importância de produzir narrativas sobre travestilidades interioranas, contribuindo para a construção de memórias, resistências e existências historicamente silenciadas.