Entre o medo e o esquecimento da travesti preta: uma etnografia sobre o estigma e a invisibilização social de Chiquinha do Pedregal de Aracati-CE
Memória, travesti, estigma.
O presente trabalho busca analisar a estigmatização e a invisibilização social que atravessam a vida e a morte de Chiquinha do Pedregal, uma travesti preta do município interiorano de Aracati-CE. Articulando a partir das memórias, das trajetórias de vida e das experiências corporificadas, busco investigar dentro desta etnografia os modos pelos quais os movimentos de invisibilização e medo foram construídos. A pesquisa evidencia a ausência de registros, narrativas e representações sobre Chiquinha, mas também sobre sua humanidade. Entrevistas, percursos e levantamentos bibliográficos e documentais foram realizados para a construção e discussão destes escritos. Ao reinscrever sua existência no espaço acadêmico, há uma ampliação do debate antropológico sobre travestilidades interioranas, raça e memórias travestis, produzindo narrativas para a além dos estigmas que historicamente lhe foram atribuídos.