Diálogos entre saberes tradicionais da comunidade pesqueira de Guamaré-RN e científicos na formação continuada de professores
Saberes tradicionais de pescadores, estudos decoloniais, investigação temática freireana, formação continuada de professores.
Atualmente percebemos uma enorme desconexão no ensino formal entre os conhecimentos de ciências trabalhados nas escolas e os saberes das comunidades tradicionais que (re)existem em nosso país. Uma delas é a comunidade pesqueira de Guamaré, situada no litoral norte do Rio Grande do Norte. Diante da ausência de diálogo em nosso contexto educacional, esta pesquisa problematiza algumas questões centrais, tais como: Como trabalhar com saberes tradicionais das comunidades locais nas escolas do Rio Grande do Norte? Como o diálogo entre esses conhecimentos pode contribuir para uma formação cultural, crítica e humanista de professores? Esta dissertação investigou como inserir saberes tradicionais de pescadores locais junto aos conhecimentos científicos propostos nos currículos atuais, buscando promover uma abordagem educacional decolonial e dialógica. A metodologia adotada foi a qualitativa, de cunho participativo e colaborativo, do tipo estudo de caso, e iniciou-se com uma Investigação Temática Freireana, que envolveu entrevistas semiestruturadas, questionários e observações de um contexto real. A partir dessa investigação, foi desenvolvido o Produto Educacional para a formação continuada de professores, organizado em quatro encontros, com carga horária de 30 horas, validado por uma banca no exame de qualificação, que incluiu discussões teóricas, aulas de campo com pescadores e propostas de ações e atividades nas escolas. O curso ressaltou a importância atual do diálogo entre saberes tradicionais e conteúdos programáticos na educação formal, destacando sua relevância para uma educação científica crítica, humanizadora e decolonial. Os resultados apontaram que o curso de formação alcançou seu objetivo principal de promover um diálogo entre os saberes tradicionais e científicos em sala de aula, apontando para a necessidade de superar o modelo educacional bancário e antidialógico e adotar uma abordagem dialógica que valorize a práxis e a interculturalidade. Esperamos com essa pesquisa contribuir para a formação de professores de Guamaré-RN e região ao propor reflexões e estratégias didáticas que articulem e dialoguem saberes tradicionais de pescadores com os saberes científicos trabalhados nos currículos atuais, promovendo uma percepção mais crítica sobre os processos de colonização dos saberes, incentivando o respeito à natureza e ao meio ambiente e defendendo a equidade epistemológica entre esses saberes.