O céu dos Potiguara Ibirapi: diálogos com a etnoastronomia indígena para uma educação científica decolonial no ensino fundamental anos finais
Etnoastronomia indígena, Potiguara Ibirapi, estudos decoloniais, Paulo Freire, ensino fundamental anos finais.
A compreensão das identidades étnicas e culturais dos povos indígenas brasileiros encontra-se intrinsecamente vinculada à condicionantes históricos e locais e a imposição de diferentes modos e processos de colonização resultou na desestruturação dessas identidades, dando lugar à emergência da perspectiva eurocêntrica como hegemônica. Esse processo adquire contornos específicos na América Latina, onde a formação identitária decorreu de uma trajetória histórica marcada pela violência colonial, com a destruição e a subjugação das sociedades e culturas indígenas pelos europeus. Tal matriz colonial persiste na contemporaneidade por meio de uma lógica de colonialidade do poder e do saber perpetuada pelos conhecimentos e normas europeias presentes nos currículos escolares, por meio de uma pedagogia anti-dialógica e opressora. Nesse contexto, a trajetória da comunidade indígena Potiguara Ibirapi no município de Ceará-Mirim-RN, constitui um exemplo concreto de como esses processos coloniais apagaram a constituição identitária e territorial dos povos originários e possui origem ancestral Tupi com presença registrada na região há milênios. Dessa forma, o presente trabalho busca defender a importância da valorização da história, da cosmovisão e das identidades dos povos indígenas nas aulas de Ciências do 6° ano de uma escola pública da região de Ceará Mirim. O objetivo central é construir, implementar e avaliar uma sequência de atividades que busquem promover a valorização da identidade étnica e cultural dos povos indígenas brasileiros através do diálogo entre os saberes e as práticas tradicionais com os conteúdos programáticos curriculares.