Percepção dos Profissionais de Serviço Social sobre o Processo de Trabalho e Sofrimento Psíquico na Abordagem ao Luto em Fortaleza-CE
luto; sofrimento psíquico; processo de trabalho; Serviço Social; educação permanente.
O processo de morte e do morrer tem sido pouco estudado entre os profissionais de serviço social. Este trabalho procurou compreender as percepções dos profissionais de serviço social sobre a abordagem a familiares enlutados e as estratégias viáveis para sua qualificação. Analisou o processo de trabalho destes profissionais; as possibilidades de sofrimento psíquico e suas relações com o trabalho; a qualificação profissional sobre o luto de familiares. Trata-se de um estudo de caso único que utilizou métodos e técnicas de análise qualitativa junto aos assistentes sociais do Serviço de Verificação de Óbitos de Fortaleza. Foram realizadas onze entrevistas semiestruturadas com os profissionais da amostra selecionada e a análise pautou-se pela Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). O projeto foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa universitário. Os resultados evidenciam que a atuação dos assistentes sociais entrevistados prioriza uma prática de acolhimento, escuta qualificada, mediação e orientação às famílias, atravessada por forte carga emocional e condições de trabalho precarizadas. O sofrimento psíquico inerente a esse contexto pode ser ressignificado coletivamente por meio da cooperação entre pares, da valorização institucional e da construção de protocolos assistenciais e projetos de educação permanente. Conclui-se que a valorização do cuidado e a educação permanente contribuem para o fortalecimento do serviço social, a redução do sofrimento psíquico destes trabalhadores e a melhoria da qualidade da assistência prestada às famílias em luto.