VIOLÊNCIAS NO TRABALHO VIVENCIADAS POR PROFISSIONAIS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE: UMA REVISÃO ESCOPO
Violência no Trabalho; Saúde do Trabalhador; SUS; Revisão de Escopo.
Esta dissertação investiga as formas de violência no trabalho enfrentada por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), seus impactos na saúde dos trabalhadores e as lacunas na produção científica sobre o tema. Com base em uma revisão de escopo de 26 artigos publicados entre 2006 e 2023, o estudo identificou que 69,2% das pesquisas foram realizadas nas regiões Sul e Sudeste, sendo 65,4% vinculadas à área da Enfermagem, revelando desigualdades epistêmicas e a sub-representação de marcadores como raça, gênero e territorialidade. A análise revelou que 76% dos estudos tratam a violência de forma genérica, sem vinculação a determinantes estruturais, e 80,8% carecem de fundamentação teórica explícita, limitando análises críticas. A pandemia de COVID-19 catalisou publicações (15,4% em 2020), mas expôs o caráter reativo da pesquisa, que naturaliza a violência como “custo inevitável” do trabalho no SUS. Os resultados apontam três eixos temáticos: (1) violência contra enfermeiros, marcada por assédio moral e subnotificação; (2) vulnerabilidade na Estratégia Saúde da Família (ESF), associada à precariedade institucional e riscos territoriais; (3) impactos psicossociais, como burnout e transtornos mentais, frequentemente psicologizados. Os resultados também apontam para uma fragmentação das redes de pesquisa e a invisibilização de vozes do Norte/Nordeste, reforçando um epistemicídio que silencia experiências periféricas. Conclui-se que enfrentar a violência no SUS exige romper com modelos que naturalizam o adoecimento, transformando o sistema em um espaço onde cuidar não signifique adoecer. O estudo reforça a urgência de alianças entre academia, gestores e movimentos sociais para traduzir evidências em práticas que valorizem a dignidade do trabalho em saúde.