Perfil sensorial em crianças com deficiência auditiva: mapeamento de evidências e viabilidade da avaliação por teleconsulta.
Perda Auditiva; Processamento Sensorial; Terapia Ocupacional; Telessaúde; Criança.
Introdução: o processamento sensorial está relacionado ao desenvolvimento infantil, mas ainda há poucas pesquisas com crianças com deficiência auditiva. A telessaúde pode ampliar o acesso à avaliação por terapia ocupacional nos serviços de reabilitação. Objetivo: mapear as evidências científicas sobre o perfil sensorial de crianças e adolescentes com deficiência auditiva e avaliar se é viável aplicar o Perfil Sensorial 2 por teleconsulta nessa população. Método: a dissertação reúne dois estudos. O primeiro é uma revisão de escopo conduzida segundo a metodologia JBI e relatada conforme o PRISMA-ScR, com protocolo registrado no Open Science Framework (DOI: 10.17605/OSF.IO/RGMVE). As buscas abrangeram oito bases de dados, literatura cinzenta e ferramentas digitais de citação, sem restrição de idioma ou data. O segundo é um estudo piloto observacional de viabilidade com duas crianças usuárias de implante coclear (IC), atendidas em um serviço de reabilitação auditiva do SUS. Avaliadores diferentes aplicaram o Perfil Sensorial 2 por teleconsulta e presencialmente, com intervalo de três dias. Foram analisados a completude, a duração, as dificuldades operacionais e a coincidência das classificações. Resultados: a revisão incluiu oito estudos (2009–2024), com 361 crianças de 7 meses a 10 anos e 11 meses, todas usuárias de IC. Os estudos relataram processamento sensorial atípico em proporções expressivas das crianças. Os achados mais consistentes foram vestibulares e proprioceptivos, e houve diferenças conforme o tipo de dispositivo auditivo. Não foram encontrados estudos com adolescentes, estudos longitudinais nem estudos latino-americanos. No piloto, as duas aplicações foram concluídas: a remota durou cerca de 30 minutos e a presencial, cerca de 20. Os responsáveis tiveram dúvidas em itens dos sistemas auditivo e vestibular, que os avaliadores esclareceram. As classificações obtidas por teleconsulta coincidiram com as presenciais nos dois casos. Conclusão: as evidências ainda se concentram em crianças em idade escolar usuárias de IC, o que reforça a importância de incluir a avaliação do perfil sensorial no cuidado multiprofissional. A aplicação remota do Perfil Sensorial 2 foi operacionalmente possível, o que é uma evidência preliminar de viabilidade. Estudos com amostras maiores e delineamento específico de concordância são necessários.