PRÁTICAS INOVADORAS PARA O ENSINO DE FRANCÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA: A PRODUÇÃO ESCRITA DO ALUNO A PARTIR DA INTERAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Inovação em Tecnologia Educacional; Imagens Geradas por IA; Produção Escrita em Língua Francesa; Criatividade Textual.
Esta pesquisa investigou o uso de imagens criadas por Inteligência Artificial (IA) com o auxílio de ferramentas digitais como recurso pedagógico no ensino de Francês Língua Estrangeira (FLE). O objetivo foi compreender como o uso intencional dessas imagens poderia favorecer a criatividade dos alunos na produção escrita, por meio de estímulos visuais que despertassem novas ideias, caminhos narrativos e formas de expressão. O foco esteve nas relações entre essas imagens e os textos produzidos pelos alunos da turma-alvo, vinculados ao núcleo de idiomas FUNCERN, levando em conta os desafios que enfrentavam para atingir os níveis de proficiência do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (QECRL), especialmente na construção de descrições detalhadas, na articulação das ideias e no uso de estruturas mais complexas. As produções foram analisadas com base nos critérios do material Défi 2, da Édition Maison des Langues, e confrontadas com os descritores do QECRL, o que permitiu verificar aproximações e distanciamentos em relação às competências esperadas no nível A2/B1. A pesquisa foi desenvolvida no contexto de sala de aula virtual da própria pesquisadora, a partir da observação de obstáculos recorrentes na escrita dos alunos: descrições vagas, pouca riqueza de vocabulário, dificuldades de organização textual. Toda a aplicação foi conduzida como pesquisa-ação, conforme proposta por Thiollent (1986) e o ciclo ação-reflexão-ação de Lewin (1946), incluindo, ao final, a aplicação de um questionário composto por perguntas fechadas, analisadas por meio da Escala de Likert, e abertas, submetidas à categorização discursiva. A fundamentação teórica reuniu autores que tratam da presença da tecnologia no processo de aprendizagem, como Papert (1980), e da importância da criatividade como parte essencial do trabalho em sala de aula, como Stein (1953), para quem criatividade é um processo que gera algo novo e valioso para um grupo social. A personalização das propostas e o estímulo à autonomia dos alunos foram inspirados nas ideias de Courtillon (2014) e Knowles (1980). Vygotsky (1987) e Souza (2010) contribuíram para a compreensão da linguagem como mediação social, ao passo que Rojo (2001, 2012) e Rojo e Moura (2019) destacaram os multiletramentos e a criticidade no uso das tecnologias. Simondon (2007) trouxe fundamentos filosóficos para a noção de imagem como mediação imanente da experiência humana. A compreensão do papel simbólico das imagens foi apoiada por Santaella (2001), Eco (2003) e Peirce (1999). A ferramenta digital utilizada foi o Mídia Mágica, integrada à plataforma Canva, que permitiu aos alunos gerarem imagens com base em descrições textuais produzidas por eles mesmos. A qualidade visual e semântica dessas imagens esteve diretamente relacionada à formulação dos prompts, exigindo precisão e clareza na escrita, conforme discutem Silva (2023) e Rombach et al. (2022) em seus estudos sobre modelos de difusão e geração visual por meio da inteligência artificial. As imagens, geradas a partir das descrições textuais, mostraram-se potencialmente capazes de funcionar como estímulos para reescritas mais criativas, completas e coerentes, sugerindo a existência de um ciclo visual-textual entre produção escrita e representação imagética. Os resultados indicaram que o uso das imagens contribuiu para ampliar o repertório linguístico dos alunos, favorecer a organização discursiva e gerar maior envolvimento nas atividades, com impacto direto na confiança e no prazer de escrever. A pesquisa foi conduzida com atenção às implicações éticas e culturais do uso da IA na educação, em consonância com a Recomendação da UNESCO sobre Ética da Inteligência Artificial (2021) e as orientações do CIEB (2023). Como produto final, foi desenvolvido um curso online gratuito (MOOC), com materiais didáticos, exemplos práticos e orientações voltadas a professores que queiram experimentar essa abordagem, promovendo autoria, expressão criativa e acessibilidade no ensino de línguas.