Flexibilidade, Conservação e Permanência: análise da arquitetura moderna hoteleira no nordeste brasileiro 1950 – 1980
Arquitetura Moderna, Hotéis no Nordeste, Reuso, Análise de projetos.
Esse trabalho tem como objetivo geral investigar o atributo da flexibilidade como estratégia projetual que poderia contribuir com a permanência e a conservação de edificações ao longo do tempo. Os edifícios hoteleiros produzidos no Nordeste brasileiro entre 1950 e 1980 constituem o objeto deste estudo. Essas produções de linguagem notadamente moderna tiveram seu início em meados dos anos de 1950, sendo consolidadas durante as décadas de 1960 e 1970, estendendo-se até a primeira metade dos anos de 1980. Muito mais do que meros locais de hospedagem, esses hotéis foram ao longo dos anos signos de modernidade, desenvolvimento e progresso e impulsionaram o surgimento de uma nova dinâmica urbana nessas localidades. Com o passar dos anos, e o surgimento de novas demandas urbanas, muitos deles acabam passando por um processo de decadência, abandono e destruição. Tendo em vista essa problemática, a pesquisa tem como hipótese inicial que “atributos flexíveis estão presentes na maioria dos projetos dos hotéis modernos estudados, o que potencialmente contribuiria para as suas permanências, conservações e reuso”. Para verificar essa hipótese, serão desenvolvidos quatro estudos de caso de projetos hoteleiros representativos da problemática que serão analisados em profundidade, com base em critérios pré-estabelecidos. O método de pesquisa sintetiza-se em uma matriz analítica (framework) elaborada com base em modelos de análise gráfica formal, bem como em conceitos teóricos de flexibilidade na arquitetura, tendo em autores como Leupen (2006), Clark e Pause (1996); Baker (1984), Unwin (2014); Ching (2010) e Frampton (2015), fundamentos basilares utilizados para essa construção. Os estudos de casos são submetidos a uma análise aprofundada em sete categorias definidas, que visam identificar as “possibilidades materiais”, identificadas em cada um dos edifícios e que permitiriam intervenções projetuais para acolher o novo reuso proposto, no que diz respeito à materialidade construtiva dos edifícios hoteleiros, sendo em seguida analisandas as estratégias possíveis de serem empregadas em cada um dos edifícios selecionados. Ao discutir a flexibilidade como um atributo projetual dos edifícios modernos que supera a qualidade técnica ou estética, a pesquisa comprova através das análises realizadas, que essa tipologia de edifício é flexível, demostrando que ele pode ser útil, adaptado e viável, sem que se necessite ser demolido. Os estudos de casos, comprovam que fundamentos elementares da flexibilidade como estrutura independente, planta livre, modulação, estão presentes em tais obras, sendo apontado nessa pesquisa possíveis caminhos para futuros projetos de reuso e retrofit, através das análises que levam em consideração as estratégias de flexibilidades possíveis de serem empregadas em cada caso estudado, o que demostrar a viabilidade e a materialidade do processo de uso e reuso de tais edifícios.