DESENHOJE: Diretrizes para o ensino de desenho à mão livre nos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e as Diversas Ênfases em Design
Desenho à mão livre; Ensino; Abordagens metodológicas; Diretrizes
A tese de doutorado intitulada “DESENHOJE: diretrizes para o ensino de desenho à mão livre nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e as diversas ênfases em Design” investiga a relevância, os desafios e a urgência de readequação do ensino da representação gráfica analógica no século XXI. Inserida no contexto mediado pelas tecnologias, a pesquisa aborda o desenho à mão livre não como um mero fim artístico ou puramente estético, mas como o instrumento cognitivo e motor fundamental com o qual projetistas elaboram formas, compreendem proporções e traduzem pensamentos abstratos em visualizações bidimensionais. A problemática central estrutura-se em três eixos principais que ameaçam a permanência do esboço nas graduações em questão. Primeiro, o eixo tecnológico, marcado pela migração precoce dos estudantes para plataformas digitais. Segundo, o eixo comportamental e psicológico, revelando uma geração de discentes hiperestimulados pelas telas, que sofre de imediatismo, paralisia diante do erro e da folha em branco, e bastante crente no “mito do talento inato”. O terceiro eixo que incide sobre o corpo docente e a estrutura curricular, evidenciando matrizes exaustivas, escassez de carga horária para a prática manual e a carência de preparo pedagógico específico dos professores para mediar o ensino à geração atual. Frente a esses desafios, o objetivo principal da tese consiste em formular diretrizes pedagógicas e curriculares para o ensino do desenho à mão livre nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e nas diversas ênfases em Design, com o intuito de ampliar a sua relevância como ferramenta cognitiva de ideação durante o aprendizado nas respectivas formações. Como metodologia, adotou-se uma abordagem colaborativa baseada na pesquisa-ação. Para tanto, levantaram-se dados teóricos e documentais (ementas e PPCs) das graduações públicas de todo o Brasil, em seguida, estabeleceu-se uma rede colaborativa com autores, docentes e discentes a fim de mapear as angústias e vivências da sala de aula. Os resultados confirmaram o diagnóstico de supressão da prática manual e a insegurança por parte de professores e estudantes, mas também revelaram caminhos promissores a partir da análise dos relatos e observações, com os quais foi possível elaborar dez diretrizes curriculares e pedagógicas, estruturando uma possibilidade de resgate não só do desenho à mão livre, mas também da confiança dos profissionais criativos em Arquitetura e Design.