ENTRE TRAÇOS E TELAS: Um registro das narrativas docentes e dos desafios do ensino remoto do desenho à mão livre em Arquitetura e Urbanismo.
ensino remoto; desenho à mão livre; COVID 19; ensino de arquitetura.
Esta pesquisa insere-se no contexto das transformações no ensino de Arquitetura e Urbanismo decorrentes da adoção emergencial do ensino remoto durante a pandemia da COVID-19, especialmente no que se refere às práticas de ensino do desenho à mão livre, tradicionalmente associadas a processos presenciais e à “alfabetização arquitetônica” do pensamento projetual. Diante desse cenário, problematiza-se de que forma as metodologias remotas impactaram a aplicação, o desenvolvimento e a efetividade dessa competência formativa essencial. O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender os impactos, conflitos e possibilidades pedagógicas que emergiram da integração entre tecnologia e ensino remoto do desenho à mão livre no contexto da pandemia entre os anos de 2020 e 2023, em cursos de Arquitetura e Urbanismo no estado do Rio Grande do Norte. Especificamente, busca-se enfatizar a relevância do desenho à mão como narrativa formativa em arquitetura, mapear práticas pedagógicas adotadas no ensino remoto, e analisar práticas e adaptações pedagógicas dessas experiências na formação profissional dos discentes. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e descritivo, com abordagem qualiquantitativa, desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico, análise documental e coleta de dados primários por meio de questionários e entrevistas com docentes da época. A investigação concentra-se em três instituições de ensino superior: UFRN, UFERSA e UNI-RN, selecionadas com base nos indicadores mais atuais de qualidade do Ministério da Educação. Os dados foram analisados por meio de técnicas de análise de conteúdo e organizadas em categorias temáticas. Os resultados indicam que, apesar das limitações inerentes ao ensino remoto, foram desenvolvidas práticas metodológicas inovadoras que possibilitaram a continuidade do ensino do desenho à mão livre em ambientes virtuais, com o uso de tecnologias digitais, plataformas interativas e estratégias síncronas e assíncronas. No entanto, evidenciam-se também desafios significativos, como dificuldades de engajamento, limitações na mediação prática do conteúdo e impactos na consolidação de habilidades projetuais, sobretudo no que se refere à dimensão sensível e cognitiva do desenho. Conclui-se que as experiências remotas contribuíram para a ampliação das possibilidades pedagógicas no ensino do desenho à mão livre, ao mesmo tempo em que revelaram fragilidades no processo de formação quando dissociado do contexto presencial. A pesquisa reforça a necessidade de integração equilibrada entre práticas analógicas e digitais, apontando para a construção de metodologias híbridas que potencializem o ensino-aprendizagem e contribuam para a formação das novas gerações de arquitetos e urbanistas, bem como, na construção de projetos políticos e pedagógicos alinhados ao contexto do avanço tecnológico e a possíveis situações emergenciais.