URBANIDADE E SENSAÇÃO DE SEGURANÇA: INTERFACES E EXPERIÊNCIA URBANA NO BAIRRO DE PONTA NEGRA EM NATAL/RN
urbanidade; envoltório público; movimento de pessoas; sensação de segurança.
A presença de atributos de urbanidade desempenha papel importante para estimular a apropriação e a vivência dos espaços públicos, favorecendo interações sociais e contribuindo para a construção de ambientes seguros. Quando a arquitetura e a configuração espacial não oferecem condições favoráveis para trocas, permanência e circulação, ocorre o enfraquecimento da vida pública, que somando às dinâmicas de violência urbana, intensifica a percepção de insegurança no cotidiano e alimenta o medo nas cidades. Esse medo, por sua vez, desencadeia transformações nos hábitos diários e nas relações sociais, alterando também a paisagem urbana. Em busca de proteção, as pessoas têm recorrido a enclaves fortificados, caracterizados pelo uso sofisticado de equipamentos de segurança, como cercas elétricas, torres blindadas, câmeras, sensores e alarmes associados a muros altos. Essas estratégias contribuem para fragmentação do espaço urbano e tornam difícil manter os princípios de acessibilidade e livre circulação na cidade. Nesse contexto, o estudo busca compreender a contribuição das características arquitetônicas das edificações para a sensação de segurança no espaço público, a partir da análise morfológica do bairro de Ponta Negra em Natal/RN, investigando a relação entre as interfaces que articulam espaços públicos e privados e a dinâmica do movimento de pessoas. Para isso, busca-se entender como o medo e a insegurança se manifestam na cidade, redefinindo relações socioespaciais e de que modo o ambiente construído influencia a presença, a circulação e o comportamento das pessoas, identificando características arquitetônicas associadas à percepção de qualidade espacial. As abordagens teóricas e conceituais sistematizam os fundamentos que orientam a análise das relações entre urbanidade, vitalidade urbana e sensação de segurança, destacando os mecanismos pelos quais as características arquitetônicas e morfológicas afetam a experiência urbana. No estudo empírico do recorte de Ponta Negra, foram descritas informações sobre o espaço urbano e sobre aspectos arquitetônicos e de segurança a partir dos atributos de urbanidade, incluindo mapas de uso do solo, gabarito, dimensões de quadras e infraestrutura, além da caracterização dos espaços de transição, tipologias murais e aparatos de segurança. Como considerações parciais, os estudos indicam a predominância de fachadas opacas e muros altos que reduzem a permeabilidade visual e enfraquecem a relação entre espaço público e privado. As análises morfológicas, arquitetônicas e de segurança revelem indícios da relação entre medo, arquitetura e experiência urbana, que serão complementas com estudos de percepção e entrevistas com usuários para compreender como as pessoas percebem e se apropriam do espaço urbano e de que maneira suas narrativas podem ser associadas a sensação de segurança no bairro de Ponta Negra.