MORTALIDADE E CUSTOS HOSPITALARES DE PACIENTES PÓS-ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: UMA SÉRIE TEMPORAL COM ANÁLISE DE FATORES ASSOCIADOS
Acidente Vascular Cerebral; Mortalidade hospitalar; Sistema Único de Saúde; Custos hospitalares; Tendência temporal.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) representa uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no Brasil, com significativo impacto clínico, social e econômico. Este estudo teve como objetivo analisar a taxa de mortalidade e os custos com internação hospitalar por AVC no Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2018 e 2023, a partir de variáveis sociodemográficas, clínicas e assistenciais. Trata-se de uma pesquisa observacional, do tipo série temporal, baseada em dados secundários extraídos do Sistema de Informações Hospitalares (SIHSUS). Foram incluídos 1.321.282 registros de internações por AVC (CID-10: I60–I64) em pacientes com 18 anos ou mais. Os resultados revelaram um aumento de 22% nas internações e de 54,5% nos custos totais com AVC ao longo do período analisado, enquanto a taxa de mortalidade hospitalar apresentou queda, atingindo 15,3% em 2023. A mortalidade foi estatisticamente associada a idade avançada, sexo masculino, raça/cor preta ou parda, residência em regiões do interior e nas regiões Norte e Nordeste, maior tempo de internação, internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tipo de AVC (especialmente hemorrágico). Quanto aos custos, observou-se maior média de gasto em internações de pacientes que evoluíram para óbito, internados em UTI, com maior tempo de permanência hospitalar e com diagnóstico de AVC hemorrágico. Diferenças regionais também foram significativas, com os maiores gastos médios registrados nas regiões Sul e Centro-Oeste. Os achados evidenciam desigualdades no perfil assistencial e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à equidade no acesso, fortalecimento das redes de atenção e alocação racional dos recursos do SUS. Sugere-se a articulação entre dados clínicos, funcionais e hospitalares, além da investigação de custos pós-alta, para subsidiar estratégias integradas de prevenção, cuidado e reabilitação.