O Engenheiro de Aquicultura formado pela UFRN será um profissional altamente capacitado, alinhado às Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia (Resolução CNE/CES nº 2, de 24 de abril de 2019 e Resolução CNE/CES nº 1, de 26 de março de 2021) e às normas que orientam a formação de profissionais na área. Este egresso será capaz de utilizar ferramentas conceituais e técnicas da aquicultura para otimizar a produtividade de organismos aquáticos, com enfoque nas diversas finalidades, como alimentação, saúde, estética e lazer, sempre buscando a melhoria da qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável em suas dimensões econômica, social e ambiental.
O futuro engenheiro atuará em organizações públicas e privadas, incorporando uma abordagem versátil e empreendedora, que é um dos pilares da formação. O profissional estará preparado para o planejamento estratégico e liderança, assim como para a promoção do compromisso social e ambiental, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento da região e do País, além da produção de alimentos de qualidade a baixo custo e com segurança alimentar.
O profissional deve possuir uma base sólida nas ciências naturais, exatas e sociais, com conhecimento abrangente em áreas como Aquicultura, Biologia, Química, Engenharia, Matemática, Física, Informática, Administração, Economia, Direito e Sociologia. O curso fundamenta o perfil do formando na inter-relação ecológica e econômica da água com organismos aquáticos cultiváveis, destacando os quatro pilares da aquicultura: manejo, nutrição, reprodução e saúde.
O Engenheiro de Aquicultura deverá lidar não apenas com as questões internas dos sistemas de produção, mas também desenvolver relações construtivas com o ambiente externo, contribuindo para um desenvolvimento sustentável e equilibrado em sua área de atuação. Isso inclui a adoção de práticas que considerem os impactos sociais, legais e ambientais das soluções de engenharia aplicadas.
O perfil do Engenheiro de Aquicultura será delineado através das competências, habilidades e conhecimentos que o aluno deverá adquirir e desenvolver ao longo do curso proposto. Considerando que não há Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) específicas para o curso de Engenharia de Aquicultura, as competências e habilidades dos egressos estarão alinhadas à Resolução CNE/CES nº 2/2019. Também foram consideradas a Resolução CNE/CES nº 5, de 2 de fevereiro de 2006, que institui as Diretrizes Curriculares para o curso de graduação em Engenharia de Pesca, com destaque para as alíneas compatíveis com a área de aquicultura, bem como a Resolução CONFEA nº 493, de 30 de junho de 2006. Com relação à correspondência com os conteúdos curriculares, as competências e habilidades estão aqui especificadas em três ciclos, em concordância com o Art. 7º da Resolução nº 5/2006:
➢ Competências e habilidades do Ciclo Básico – CB: adquiridas através dos campos do saber que forneçam o embasamento teórico necessário para que o futuro profissional possa desenvolver o seu aprendizado. Os componentes curriculares para este ciclo serão integrados pelos eixos: Matemática, Ciências do Ambiente, Física, Química, Biológicas, Ciências Humanas e Sociais; Administração e Economia; Informática; Desenho Universal e Engenharias Gerais. O eixo “Engenharias Gerais” contempla os seguintes conteúdos obrigatórios: Ciências dos Materiais; Eletricidade; Expressão Gráfica; Fenômenos de Transporte e Mecânica dos Sólidos.
➢ Competências e habilidades do Ciclo Profissionalizante – CP: adquiridas por campos do saber destinados à caracterização da identidade do profissional. Os seguintes eixos estão incluídos neste ciclo: Aquicultura; Biotecnologia Animal e Vegetal; Fisiologia Animal e Vegetal; Economia; Ecossistemas Aquáticos; Ética e Legislação; Oceanografia e Limnologia; Gestão Empresarial e Marketing; Gestão de Recursos Ambientais; Microbiologia; Tecnologia de Produtos da Pesca; Tratamento de Dados; Construções Aquícolas; e Extensão.
➢ Competências e habilidades do Ciclo Específico – CE: adquiridas através de componentes propostos para suprir as demandas regionais e as áreas emergentes no campo da aquicultura, proporcionando o conhecimento voltado à integração das vocações profissionais aos interesses regionais. Este ciclo estará inserido nos eixos: Tecnologia, inovação e empreendedorismo; Maricultura; e Aquicultura sustentável.
A matriz curricular e o funcionamento do Curso de Engenharia de Aquicultura pretendem assegurar o cumprimento de seus fundamentos e objetivos, contemplando um conjunto de componentes curriculares obrigatórios e optativos, Atividades Complementares, Estágio Obrigatório, Trabalho de Conclusão de Curso e demais atividades acadêmicas para a formação do Bacharel em Engenharia de Aquicultura. A construção da matriz curricular adota a metodologia baseada em: a) interdisciplinaridade; b) integração entre teoria e prática; c) flexibilidade curricular; e d) indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
a) Interdisciplinaridade
No atual contexto de renovação pedagógica, busca-se estruturar um modelo curricular centrado na interdisciplinaridade, possibilitando ao aluno superar a divisão das disciplinas de forma que passe a focar sua visão na integração entre o conhecimento e o contexto social vivenciado dentro e fora da Universidade. Nesse sentido, a proposta educacional deste projeto ganha um sentido de formação do homem integral que dialoga com os conhecimentos dos componentes curriculares entre si e interliga esses saberes com as necessidades concretas da vida cotidiana. Para Nogueira (1994), a interdisciplinaridade deve ser a busca pela construção do conhecimento, onde os temas convergem em um mesmo assunto, com o intuito maior de um projeto único. Para esse autor, as ciências devem pensar num ser humano global, abordando vários enfoques para uma mesma formação, que responda às necessidades da prática cotidiana social.
b) Integração entre Teoria e Prática
A articulação entre teoria e prática, como princípio norteador deste projeto, está presente em diversos momentos da formação do aluno, tanto na estrutura curricular, com conteúdos específicos, quanto no contexto programático dos diversos componentes curriculares através da prática cotidiana do professor em sala de aula. Como exemplo de conteúdo específico, as disciplinas Estágio Supervisionado em Aquicultura I e II configuram-se como o momento em que os alunos efetivamente se integram à sua prática profissional, atuando e interferindo sobre ela com base em conhecimentos, saberes, habilidades e competências desenvolvidas no decorrer do curso. Do ponto de vista das ações e atividades acadêmicas dentro dos componentes curriculares, os docentes devem proporcionar, na medida do possível, aulas práticas, em campo e em laboratórios, para facilitar a aplicação e compreensão de conceitos trabalhados teoricamente no decorrer do curso.
c) Flexibilidade curricular
O princípio da flexibilidade vem atender à formação de um profissional que deve estar atento ao desenvolvimento tecnológico e científico, com a finalidade de atender às necessidades da sociedade moderna. Para dar conta do alto grau de complexidade que envolve todo esse processo formativo, é necessário que o currículo incorpore a flexibilidade como alternativa viável para oportunizar aos seus graduandos uma nova relação com o conhecimento (ligando ação e reflexão) e, não obstante, com questões que envolvem os paradigmas de ensino e aprendizagem, atentando para a formação do “aprender a aprender”.
d) Indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão
Esta proposta traz para a concepção do Projeto Pedagógico do Curso a expressão do compromisso social assumido pela Universidade em formar profissionais capazes de atender às demandas e às necessidades sociais. A integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão favorecem a formação de um aluno que pense na prática social e que desenvolva suas competências e habilidades, tendo como objetivo a promoção do desenvolvimento social. Assim, o acesso do aluno ao conhecimento, a sua inserção nas práticas de pesquisa e o seu envolvimento em projetos de extensão permitirão que ele possa colocar em prática suas competências adquiridas, que representam a expressão máxima de sua formação superior.
reestruturação do Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Aquicultura se fundamenta em uma abordagem avaliativa contínua, que abrange tanto o processo de ensino-aprendizagem quanto a própria execução do projeto. Acompanhamentos e avaliações permanentes são essenciais para assegurar que os objetivos estabelecidos sejam alcançados com êxito.
Para assegurar a qualidade e a melhoria contínua do Curso de Engenharia de Aquicultura da UFRN, diversos instrumentos serão utilizados para prever e analisar periodicamente as dificuldades relacionadas à infraestrutura, equipamentos, pessoal, gestão, metodologias e necessidades de formação. Esses instrumentos seguem as diretrizes da Lei nº 10.861/2004 do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e da regulamentação interna da UFRN.
De forma específica, o acompanhamento e avaliação do projeto políticopedagógico é de responsabilidade dos professores do Núcleo Docente Estruturante (NDE), do Colegiado do Curso e dos professores convidados, em colaboração com a equipe de acompanhamento e avaliação de projetos da PROPLAN e PROGRAD. As avaliações serão conduzidas por uma equipe permanente de docentes, designada previamente pelo colegiado do curso, conforme regulamentações do CONSEPE.
Comissão Própria de Avaliação (CPA) pode ser solicitada para auxiliar nos processos avaliativos. A realização de ações acadêmico-administrativas será pautada nas autoavaliações e nas avaliações externas (como ENADE, E-MEC, CPC, entre outras). Adicionalmente, a orientação didático-pedagógica da PROGRAD e as iniciativas do Programa de Atualização Pedagógica (PAP) serão integradas ao processo.
Em síntese, a integração entre o NDE, os professores do curso e os alunos será crucial para diagnosticar os pontos fortes e fracos do curso, contribuindo de maneira significativa para a melhoria e atualização deste projeto pedagógico.
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