O egresso do curso de Bacharelado em Geografia deve ser formado com competências que vão além dos conhecimentos específicos da área, sendo capaz de mobilizar saberes interdisciplinares para a resolução de problemas diversos. A formação deve proporcionar uma estreita relação entre o aprendizado teórico e a prática esperada do futuro geógrafo, preparando-o para atuar de forma ética, crítica, autônoma e criativa, respeitando a pluralidade profissional e adotando uma postura propositiva diante dos desafios e problemas sociais.
Esse profissional deve ser capaz de organizar e orientar atividades individuais e coletivas, trabalhar em equipe de estudos técnicos interdisciplinares, utilizar novas tecnologias, conduzir processos investigativos e buscar uma formação continuada. Além disso, deve desenvolver a capacidade de ler o espaço de forma contextualizada e com noção escalar, considerando as múltiplas variáveis que o compõem, e analisar criticamente as transformações espaciais e suas implicações sociais.
Os geógrafos, conforme as diretrizes de Brasil (2010) atuarão de forma generalista no espaço geográfico, considerando-o como palco das realizações humanas, com foco em áreas como Geografia Física e Geografia Humana. Sua atuação inclui o reconhecimento, levantamento, planejamento e pesquisa, considerando o ambiente urbano e rural, análise das condições hidrológicas, fluviais, climáticas, oceanográficas e geomorfológicas, além do planejamento e organização espacial. Também serão responsáveis por estudos de impacto ambiental, mapeamento, gerenciamento de informações geográficas, e produção de dados para Geoprocessamento.
O egresso deve ser capaz de coordenar e supervisionar equipes de trabalho, vistorias, perícias e avaliações, emitindo laudos e pareceres. Sua atuação deve ser pautada pela ética, diversidade, segurança e consideração dos impactos socioambientais.
A formação do geógrafo deve sinalizar para o desenvolvimento de competências e habilidades que permitam o exercício eficiente de suas atividades em escalas espaciais variáveis, desde a local até a global. São elas:
O curso de Bacharelado em Geografia privilegia a formação do geógrafo a partir da vinculação entre teoria e prática e de uma perspectiva interdisciplinar. Nesse sentido, os componentes curriculares têm como referência os conteúdos de natureza teórica e prática, simultaneamente, o que permite a construção desses saberes, diminuindo a cisão existente entre esses dois domínios na formação desse profissional. A ação do futuro geógrafo, assim, é entendida como um conteúdo transversal aos componentes curriculares, reforçada com as
práticas laboratoriais e o Estágio Supervisionado como a culminância do exercício teóricoprático de construção e reflexão da formação profissional do geógrafo. Dessa forma, rompese com a visão de que o aluno se torna geógrafo a partir do estágio e coloca-se em andamento a concepção de que a formação do mesmo se dá continuamente, no decorrer do curso.
Desta forma, a matriz curricular foi organizada conforme seus quatro núcleos formativos principais: Geografia Física, Geografia Humana, Geografia Instrumental e Geografia Geral. Sendo assim, a organização dos conteúdos e dos componentes curriculares está planejada para abranger as interrelações entre o local e o global, o geográfico e as áreas correlatas, permitindo articulações e reflexões contextualizadas e críticas.
Sendo assim, em consonância com o perfil e os objetivos do Curso de Bacharelado em Geografia, estabeleceu-se como relevantes, para a formação dos bacharéis em Geografia, conteúdos disciplinares de natureza teórica e prática, cujas metodologias envolvam essas duas dimensões como fundamentais para a formação desse profissional, organizados nos tópicos de estudo abaixo discriminados em seus principais componentes.
A presente proposta procura considerar e promover a interdisciplinaridade, por meio de amplo debate, questões culturais, sociais, econômicas e o conhecimento acerca dos processos físico-naturais e ambientais. Assim como o emprego de técnicas para mensuração desses fenômenos, contemplando conhecimentos sobre Estatística, Cartografia e Geoprocessamento com ênfase nas Geotecnologias, a exemplo da Topografia e Georreferenciamento, conforme Decisão PL-0633, de 2003, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia que diz que: os profissionais habilitados para assumir a responsabilidade técnica dos serviços de determinação das coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais para efeito do Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR) são aqueles que, por meio de cursos regulares de graduação ou técnico de nível médio, ou por meio de cursos de pós-graduação ou de qualificação/aperfeiçoamento profissional, comprovem que tenham cursado os seguintes conteúdos formativos: a) Topografia aplicada ao georreferenciamento; b) Cartografia; c) Sistemas de referência; d) Projeções cartográficas; e) Ajustamentos; f) Métodos e medidas de posicionamento
geodésico. Conteúdos esses, inseridos em alguns componentes curriculares de cunho Cartográfico, Técnico e Tecnológico, tais como Cartografia, Cartografia Temática e Geoprocessamento. Nesse caso específico, pretende-se inserir o geógrafo no mercado de trabalho, tornando-o um profissional competitivo, apto a atuar nos principais nichos atuais de mercado, tais como: Cadastro Ambiental Rural, Georreferenciamento de Imóveis Rurais, Cadastro Técnico Multifinalitário, Zoneamentos Ecológico-Econômicos, Planejamentos Espaciais, entre outros.
Já em relação à flexibilização curricular, ressalta-se que houve flexibilização na determinação de pré-requisitos e equivalências nos componentes curriculares. Principalmente, pois haverá a oferta de componentes deste PPC e da antiga estrutura que será ofertada até a formação do último bacharel que ingressou pelo antigo PPC.
Os procedimentos de avaliação dos processos de ensino-aprendizagem nos componentes curriculares têm, no contexto do curso, por base, a verificação da aprendizagem das competências/habilidades/atitudes estabelecidas, em linha com os objetivos desse PPC e seguindo o Regulamento dos Cursos de Graduação da UFRN. Em termos gerais, a avaliação no Curso de Bacharelado em Geografia do CERES prevê a capacidade de expressar em linguagem própria às noções pertinentes à representação cartográfica; domínio e uso adequado dos conceitos inerentes à Geografia; capacidade de construir relações entre as diferentes escalas geográficas – local, regional, nacional e global – e entre os componentes curriculares, de modo a conformar uma postura ética, autônoma e criativa na proposição e na resolução de problemas. Sendo assim, abordagem de processo de aprendizagem em que o discente atua como sujeito ativo.
O processo avaliativo envolve aspectos de natureza qualitativa e quantitativa que, fazendo uso de instrumentos variados como prova escrita, organização e apresentação de seminários, participação nas atividades de sala de aula e de laboratórios, relatórios de atividades de campo. Além disso, enfatiza-se a mensuração do domínio e problematização de conteúdos teórico-empíricos e das competências e habilidades inerentes à formação de
docente e de pesquisador, fortalecendo o desenvolvimento e a autonomia do discente de forma contínua e efetiva, propiciando informações sistematizadas e disponibilizadas aos estudantes, com mecanismos que garantam sua natureza formativa.
Em relação à flexibilização na avaliação do processo de ensino e aprendizagem dos discentes, ressalta-se a garantia de tempo adicional de 50% para a realização das atividades de avaliação, conforme a necessidade educacional específica apresentada, atividade essa em linha com a SIA.
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