Banca de QUALIFICAÇÃO: RAFAEL DOS SANTOS DE BESSA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAFAEL DOS SANTOS DE BESSA
DATA : 31/08/2022
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/gaw-tshj-qzj
TÍTULO:

ONTOGENIA DAS VOCALIZAÇÕES ULTRASSÔNICAS EM UM MODELO ANIMAL DE AUTISMO


PALAVRAS-CHAVES:

Autismo; VUS; Desenvolvimento pós-natal; MMG; Aprendizado não-supervisionado;


PÁGINAS: 140
RESUMO:

A comunicação durante a interação social é uma fator preponderante para a escolha da resposta comportamental mais adequada em cada situação. Ratos utilizam vocalizações ultrassônicas (VUSs) para se comunicar com outros indivíduos da mesma espécie. As vocalizações transmitem informações sobre o estado emocional do rato e contribuem para a iniciação e manutenção de comportamentos sociais. Ratos neonatos emitem VUSs quando estão longe da mãe e em situações de estresse. As chamadas de VUSs de 40 kHz, evocam na mãe uma resposta de aproximação do filhote e de cuidado maternal. A medida que o animal envelhece as VUSs alteram seu perfil acústico e se aproximam do observado em adultos. Entender como os parâmetros acústicos se modificam pode ajudar a identificar biomarcadores do desenvolvimento e de transtornos onde a comunicação e a produção vocal estão alteradas como por exemplo no transtorno do espectro autista (TEA). Pacientes com TEA apresentam alterações na comunicação e na interação social desde os primeiros anos de vida. Animais expostos ao ácido valpróico (VPA) no útero apresentam alterações anatômicas e comportamentais semelhantes àquelas observadas em pacientes humanos com TEA. Esses animais apresentam redução no número de vocalizações durante isolamento materno na infância. Entretanto, ainda se sabe pouco sobre como outros parâmetros acústicos estão afetados nesse
modelo. Neste estudo nós analisamos os parâmetros acústicos de VUSs de ratos neonatos emitidas durante isolamento materno nos dias pós-natais 07, 14 e 21 e avaliamos o efeito da exposição ao VPA no útero na produção vocal. Para avaliar qualitativamente as VUSs, desenvolvemos um algoritimo de agrupamento não-supervisionado que aplica um modelo de mistura de gaussianas (MMG) e utiliza apenas
dois parâmetros das VUSs: a frequência principal e a variação da frequência. Analisamos a dinâmica de transição entre os diferentes tipos de classes identificadas e testamos a correlação entre a proporção de cada classe de VUSs e comportamentos exploratórios dos animais durante um teste de campo aberto em P21. Nossos resultados mostraram que os animais expostos ao VPA vocalizam menos que os animais controle em P14 e apresentam alterações nos parâmetros acústicos das VUSs em todas as idades registradas. Nosso algoritmo identificou quatro classes de VUSs. Encontramos diferenças na proporção das classes emitidas pelos animais VPA e controle em P21 e mostramos que os animais VPA emitem menos classes de VUSs nessa idade, indicando um repertório vocal menos diverso. As análises dos comportamentos exploratórios no campo aberto mostraram que os animais VPA exploram menos que os animais controle. Também mostramos que os animais que emitiram mais VUSs de classes com maior variação na frequência (bxFM e atFM) apresentaram mais comportamentos exploratórios enquanto os animais que emitiram mais VUSs de classes com baixa variação na frequência (bxNM e atNM) exploraram menos durante o campo aberto. Esses resultados mostram que nosso algoritmo consegue separar as VUSs de neonatos em quatro classes utilizando apenas dois parâmetros acústicos. As correlações encontradas entre as classes de VUSs e os comportamentos exploratórios, e as diferenças nas proporções dessas classes presentes nas emissões de animais VPA e animais controle indicam uma correspondência biológica
dessas classes e abre a possibilidade de utilizar as VUSs de 40 kHz como biomarcadores.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1996111 - MARTIN PABLO CAMMAROTA
Interno - 1824636 - RICHARDSON NAVES LEAO
Presidente - 1698305 - RODRIGO NEVES ROMCY PEREIRA

Notícia cadastrada em: 29/08/2022 15:07
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