Banca de DEFESA: JEAN HENRIQUE COSTA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JEAN HENRIQUE COSTA
DATA: 27/03/2012
HORA: 09:00
LOCAL: AUDITÓRIO B DO CCHLA
TÍTULO:

Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte


PALAVRAS-CHAVES:

Teoria Crítica. Estudos Culturais. Indústria Cultural. Música Popular. Forró Eletrônico.


PÁGINAS: 226
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
RESUMO:

O presente estudo objetivou compreender em que medida e como o forró eletrônico atualmente hegemônico no mercado musical norte-rio-grandense serve para estabelecer e sustentar relações de dominação nos contextos sociais em que é produzido, transmitido e recebido. Ancorado, em significativa forma-conteúdo, nos escritos da primeira geração de pensadores que se convencionou chamar Escola de Frankfurt (Teoria Crítica), particularmente em Theodor W. Adorno, e recorrendo sistematicamente às contribuições dos Estudos Culturais (originários do Centre for Contemporary Cultural Studies de Birmingham) e da sociologia de Pierre Bourdieu, buscou-se realizar no fecundo cruzamento desses referenciais uma possibilidade crítica de leitura do forró eletrônico dominantemente difundido no RN. Para tanto, objetivando uma melhor apreensão dos chamados “circuitos de capital/circuitos de cultura”, o estudo em questão foi fruto de um investimento qualitativo de pesquisa, fundado na realização de entrevistas estruturadas com músicos, empresários do setor e consumidores musicais, além de análise das temáticas contidas na discografia oficial da banda de forró eletrônico “Garota Safada”. Como inferência empírica geral do estudo, foi possível compreender que, longe de substancialmente existir dominação ou simplesmente imperar resistências, há uma pluralidade relacional de formas de dominação e maneiras de resistências habitáveis na produção e no consumo do forró eletrônico, independentemente de sexo, idade, renda, educação ou local de residência. Todavia, as artimanhas da indústria cultural têm sido potentes: dos grandes empresários aos pequenos produtores possibilitados pelos chamados “mercados abertos”. Prontamente, a atualidade do conceito de indústria cultural reside na ideia de que seus produtos são oferecidos em sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e a noção de que a sua produção obedece prioritariamente a critérios administrativos de controle sobre os efeitos no receptor (capacidade de prescrição de desejos). Logo, a reflexão adorniana acerca da pseudo-individuação conduz a pensar que mesmo em algumas formas mais aparentes de negociação e/ou recusa no consumo do forró, ainda assim vigoram determinados comandos da indústria cultural, ora pontualmente na própria (re)leitura do forró, ora na escolha de outros gêneros musicais também estandardizados, racionalizados e massificados. Assim, mesmo não havendo nenhuma relação de causa-efeito e mesmo reconhecendo-se vigorosamente a capacidade popular de reelaboração e contestação do consumo midiático, algumas visões de mundo vigentes no forró eletrônico terminam por, se não estabelecerem, pelo menos sustentarem algumas ideologias já hegemônicas, sobretudo aquelas ligadas às questões de gênero, consumo e estilo de vida (diversão a todo custo). Por conseguinte, devido à massificação de determinadas músicas, são potencialmente vivificados alguns modos de disseminação de valores, crenças e sentimentos a partir do forró eletrônico. É presumível, então, que no atual avanço do processo de semiformação (Halbbildung ), o habitus de uma parte da juventude potiguar seja reforçador e reforçado pela centralidade do trinômio “diversão, amor e sexo” presente nas canções, sobressaindo-se em algumas práticas construtivas de sentido e em determinados fluxos de significação social.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1149373 - BEATRIZ MARIA SOARES PONTES
Interno - 349734 - JOAO EMANUEL EVANGELISTA DE OLIVEIRA
Interno - 1149645 - LUCIANA DE OLIVEIRA CHIANCA
Notícia cadastrada em: 26/03/2012 22:24
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