Banca de DEFESA: THIAGO ISAIAS NOBREGA DE LUCENA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: THIAGO ISAIAS NOBREGA DE LUCENA
DATA: 20/12/2011
HORA: 09:00
LOCAL: Auditório A do CCHLA
TÍTULO:

FEIRAS-LIVRES: CIDADES DE UM SÓ DIA, APRENDIZADOS PARA A VIDA INTEIRA


PALAVRAS-CHAVES:

Feira-livre. Saberes da tradição. Conhecimento pertinente. Aprendizagem.


PÁGINAS: 160
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
RESUMO:

Este trabalho problematiza constelações criativas de saberes marcados por múltiplas subjetividades em um espaço singular das cidades: a feira-livre. Lugar de trocas financeiras, mas também afetuais, simbólicas e míticas, esse espaço se mantém ao lado dos lugares comerciais assépticos e climatizados como são os supermercados e hipermercados dos espaços urbanos e das metrópoles. As feiras, por seu caráter itinerante e seus personagens nômades modernos, são capazes de suscitar múltiplas observações, divagações, afecções e construção de conhecimentos. É um espaço marcado por estratégias organizativas e vivenciais de seus atores em diferentes situações geográficas do globo que, em nível local garantem a diferenciação em relação a outros grupos, mas que, em uma escala mais afastada, vinculam-se a processos gerais mais amplos que a tornam universal. Na feira livre do bairro do Alecrim na cidade de Natal-RN/Brasil, principal contexto de referência empírica desta pesquisa, em meio a tantos estímulos mobilizadores dos órgãos dos sentidos – em virtude dos múltiplos odores, sabores, cores, texturas e sons que dela emana – salta aos olhos o elevado contingente de crianças e adolescentes exercendo as mais diversas atividades laborais. Sabemos que no Brasil esse tipo de prática foi historicamente sinalizada e enquadrada por proibições e vetos chancelados por leis nacionalmente instituídas. Nesse sentido, é importante aclarar que não há neste estudo nenhuma pretensão de negar a existência ou desclassificar a importância de tais convenções e regras que foram formalizadas em um turbulento processo histórico, fruto de lutas e ideais de diversos grupos. Dessa maneira, por meio de um exercício estratégico de método que ultrapassa as amarras homogeneizantes do discurso oficial instituído de proibição, negação e erradicação de todas as formas de trabalho infantil, nos propomos a esgarçar tais chancelas discursivas após percebermos outros modos de fazer e ser desses meninos e meninas da feira. Deparamo-nos com uma caótica e pulsante sala de aula ao ar livre na qual se constrói permanentemente saberes mais próximos de uma lógica do sensível, expressão cunhada por Claude Lévi-Strauss. Em outras palavras, trata-se de um laboratório de construção de um conhecimento pertinente, como quer Edgar Morin, ou seja, aquele que religa o fenômeno e seu contexto e não opõe manipulação e tempo real de aplicabilidade dos saberes construídos. Nessa escola sem muros, portas, janelas, quadros-negros ou programas, os saberes da tradição (ALMEIDA, 2009) são experimentados e compartilhados por crianças e adolescentes que convivem diuturnamente com um tipo de troca de bens e palavras em permanente construção. Nas bancas da feira e para além delas encontramos sujeitos híbridos (LATOUR, 2000) que se estruturam por meio de mecanismos criativos capazes de fazê-los navegar nas incertezas caóticas de suas vidas. Os aprendizados da feira foram ou são a pulsão de reinvenção desses sujeitos aparentemente encarcerados no conformismo como fatalidade última, portadores de histórias grávidas de simbologias tristes e felizes que expõem a face de um humano em permanente combustão, construção e incerteza.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 345835 - JOSE WILLINGTON GERMANO
Externo à Instituição - JOSINEIDE SILVEIRA DE OLIVEIRA - UERN
Interno - 347048 - MARIA DA CONCEICAO XAVIER DE ALMEIDA
Notícia cadastrada em: 08/12/2011 11:33
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